Billy Crystal: passado, presente, futuro
Billy Crystal: o "entertainer" dos Oscars de 2012

Noite de Oscars  

Billy Crystal: passado, presente, futuro

Como recuperar as audiências perdidas? Como relançar os Oscars? A apresentação de Billy Crystal foi uma boa resposta, mas não resolve todos os problemas com que se confronta a Academia de Hollywood.

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Billy Crystal fez um pouco de tudo: apresentou formalmente a cerimónia; celebrou a mitologia de Hollywood; brincou com essa mitologia; acarinhou os nomeados; por vezes, acarinhou-os e brincou com a sua fama... Fez tudo isso, mas a dúvida ficou: estará (re)encontrado o núcleo de espectáculo e entertainment que os Oscars exigem?

Não é uma questão que se possa medir apenas pelas sondagens. Em boa verdade, Crystal surgiu no palco do (ainda chamado) Kodak Theater como uma figura, não exactamente do presente, mas carregada de nostalgia. Pelo facto de, ele próprio, ser um símbolo da história moderna dos Oscars? Sem dúvida. Mas porque a noite, comandada pelo impacto de "O Artista", foi também uma celebração de memórias mais ou menos remotas. Daí outra dúvida: até que ponto essa celebração de memórias contém suficiente futuro para os Oscars?

O que está em jogo envolve, ou pode envolver, Billy Crystal e o seu multifacetado talento, mas está longe de se esgotar nele. No fundo, a 84ª cerimónia dos Oscars trouxe-nos uma Academia (e uma indústria, hélas!) situada numa insólita encruzilhada: por um lado, celebrando os avanços da tecnologia digital e, em particular, os êxtases do 3D; por outro lado, refugiando-se na consagração do passado e suas mitologias.

Podemos, evidentemente, discutir o simplismo com que "O Artista" investe esse passado, transformando uma boa anedota para uma curta-metragem num exercício formalista irrecusavelmente vistoso... Mas esse é apenas um pormenor. É a próprio identidade dos Oscars que enfrenta um futuro ambíguo: ser uma celebração genuína do cinema e suas especificidades, ou ambicionar apenas existir como show televisivo ciclicamente assombrado pela deserção das suas audiências tradicionais?

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publicado 00:24 - 28 fevereiro '12

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