Blake Lively a contas com o seu inimigo: um filme à maneira clássica da


joao lopes
11 Ago 2016 19:10

"Águas Perigosas" é um filme centrado na ameaça de um tubarão… Ironicamente ou não, poderá ser também o filme que irá conferir, finalmente, à actriz Blake Lively o estatuto de estrela que merece. Vimo-la, recentemente, no centro do melodrama fantástico "A Idade de Adaline" (2015), isto sem esquecer as suas presenças em "As Vidas Privadas de Pippa Lee" (2009) ou "Selvagens" (2012) — agora, enfrenta o desafio dramático de "contracenar" com um tubarão…

Dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra, "Águas Perigosas" (título original: "The Shallows") é o contrário dos ruidosos "blockbusters" de Verão que confundem prédios a cair e cidades a ruir com a criação de genuínas emoções. Neste caso, tudo nasce de um dispositivo minimalista — uma praia, uam jovem a fazer surf, uma ameaça inesperada — gerido com tempo, valorizando as durações e, nessa medida, dando o devido valor às potencialidades do cenário.


Na sua brevidade (dura um pouco menos que a clássica hora e meia), este é, afinal, um exemplo de como é possível recuperar modelos antigos de espectáculo, relançando-os na actualidade, sem ficar preso da adoração beata dos "efeitos especiais". Encontramos mesmo aqui o espírito da mais clássica "série B", fazendo das fraquezas forças: meios austeros & eficácia narrativa.

E não deixa de ser interessante sublinhar como estamos perante um produto de origem híbrida, afinal bem típico dos cruzamentos (geográficos, culturais e financeiros) que, hoje em dia, caracterizam a indústria cinematográfica. Com chancela de uma "major" (Columbia), trata-se de uma realização de um espanhol, fotografada por outro espanhol (Flavio Labiano); a acção situa-se no México, mas a rodagem decorreu na Austrália; do tubarão não se conhece o bilhete de identidade…

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