CARPENTER, John
John Carpenter: mestre do terror, para além do terror

DVD Memória  

CARPENTER, John

O novo "Halloween", de David Gordon Green, faz-nos regressar às origens. Que é como quem diz: a John Carpenter, aos seus filmes de assombramento e ironia, e também às músicas que tem composto ao longo da sua multifacetada carreira.

Foi em 1978 que John Carpenter realizou “Halloween”, história assombrada de Michael Myers, o jovem que regressava numa noite de Halloween depois de ter morto, quinze anos antes, a própria irmã. Quarenta anos depois, temos um novo “Halloween”, dirigido por David Gordon Green, reinventando a herança de Carpenter, nomeadamente na banda sonora — acontece que Carpenter é também, sempre foi, um criador musical. Escutemos um esclarecedor exemplo.


São sons de 1976 — a banda sonora de “Assalto à 13ª Esquadra” tornou-se um emblema lendário do próprio filme. Mais do que isso: corresponde a um período de grande invenção no espaço da música electrónica. Para Carpenter, foi a consagração como talentoso autor de “série B”, embora capaz de trabalhar com orçamentos muito mais ambiciosos — assim aconteceu no arranque da década de 80 com “O Nevoeiro”, “Nova Iorque 1997” e, sobretudo, o fabuloso “The Thing”, entre nós chamado “Veio do Outro Mundo”.


Estas músicas de “Veio do Outro Mundo” já não são de Carpenter, têm assinatura daquele que é também, para todos os efeitos, um dos seus mestres: o italiano Ennio Morricone. Logo a seguir, em 1983, Carpenter assinou um dos seus títulos mais célebres, “Christine, o Carro Assassino”, adaptação de um romance de Stephen King — o filme, atravessado por uma inquietação plena de elegância, deu nova vida a uma canção de George Thorogood & The Destroyers, lançada um ano antes, “Bad to the Bone”.


Com cerca de duas dezenas de longas-metragens (a última das quais, “O Hospício”, surgiu em 2010), John Carpenter é, afinal, mais do que um mestre das convenções do terror — ele distingue-se como retratista dos fenómenos mais insólitos, porventura mais indecifráveis, da imaginação humana. Até mesmo no regresso a um típico produto de “série B” como “A Bíblia de Satanás”, lançado em 1994 — era um conto dantesco, pleno de ironia, a ponto de surgir pontuado por “We’ve Only Just Begun”, um clássico dos irmãos Karen e Richard Carpenter, aliás, The Carpenters.

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publicado 22:02 - 31 outubro '18

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