Cannes: O melhor e o pior dos 21 filmes em competição

Cannes 2022  

Cannes: O melhor e o pior dos 21 filmes em competição

Uma espécie de resumo da matéria dada em antecipação ao anúncio dos premiados.

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Cannes 2022: a hora das decisões O júri viu os últimos dois filmes a concurso durante a tarde de sexta-feira. Sábado serão conhecidos os vencedores.

Os favoritos, e os outros... Aqui estão os pontos fortes e fracos dos filmes em competição para a Palma de Ouro no 75º Festival de Cannes. As escolhas do júri serão anunciadas no sábado.

"Decision to Leave", Park Chan-wook

É o favorito dos críticos: três anos após "Parasitas" de Bong Joon-ho, Park Chan-wook pode dar um segundo troféu à Coreia do Sul com este thriller virtuoso sobre um detective que se apaixona por uma suspeita. Pesa do lado negativo o enredo demasiado complexo.

"Crimes of the Future", David Cronenberg

Profundo ou fogo de vista? O regresso do papa de gore, com Viggo Mortensen e Léa Seydoux mergulhados num mundo pós-apocalíptico cheio de experiências cirúrgicas. Numa atmosfera crepuscular, Cronenberg empurra a sua obsessão com o corpo e as vísceras mais longe do que nunca.

"Armageddon Time", James Gray

James Gray é mais autobiográfico do que nunca com esta crónica da adolescência, protagonizada por Anne Hathaway, Jeremy Strong e Anthony Hopkins, ambientada no coração da Nova Iorque dos anos 80. Depois de "Ad Astra", o director americano regressa à Terra, mas perde algum do seu fôlego épico no processo.

"Triangle of Sadness", Ruben Ostlund

A Palma do Humor: o realizador sueco fez a Croisette explodir de riso com o filme que paira algures entre uma versão punk de "Titanic" e "La Grande Bouffe", uma sátira ácida que aponta o dedo aos ultra-ricos. Cinco anos após vencer com "O Quadrado", não será demais atribuir-lhe outra Palma de Ouro?

"EO", Jerzy Skolimowski

A raça humana vista por um burro. O realizador octogenário assina um dos filmes mais audaciosos. A fotografia espectacular, por vezes alucinógena, amplia esta longa-metragem. O guião, infelizmente, perde objetividade no final.

"Holy Spider", Ali Abbasi

O dinamarquês nascido no Irão mostra o país das suas origens de uma forma nunca antes vista neste thriller sobre um assassino de prostitutas que "limpa" em nome de Deus, uma das cidades mais sagradas da República Islâmica. O assunto é forte, mas a representação frontal da violência afastará algumas pessoas.

"Broker", Hirokazu Kore-eda

O realizador japonês parte corações com esta viagem em torno de uma caixa onde se abandonam bebés indesejados. Depois da Palma de Ouro com "Sholifters" (2018), este habitual da Croisette rodou na Coreia do Sul e oferecerá talvez o prémio de melhor interpretação à estrela de "Parasitas", Song Kang-ho, ou a Lee Ji-eun, a estrela de K-Pop sob o nome de IU.

"Tchaikovsky's Wife", Kirill Serebrennikov

Mais clássico do que "Petrov´s Flu", revisita a homossexualidade do compositor e a vida da sua esposa, que permaneceu na sombra. A actriz russa Alyona Mikhailova tem uma actuação incandescente e é a favorita para receber um prémio de interpretação.

"Les Amandiers", Valeria Bruni Tedeschi

O sétimo filme da actriz franco-italiana Valeria Bruni Tedeschi faz uma retrospectiva dos seus anos de aprendizagem como estudante na escola e teatro Amandiers em Nanterre, ao lado de Patrice Chéreau. Uma história que tem como pano de fundo a epidemia da SIDA no final dos anos 80.

"Boy From Heaven", Tarik Saleh

Um mergulho no Islão sunita que faz lembrar "O Nome da Rosa". Cinco anos depois de "Cairo Confidencial", o cineasta sueco de 50 anos, nascido de um pai egípcio, está de volta com um thriller que mostra o funcionamento do poder político e religioso.

"Tori et Lokita", Jean-Pierre e Luc Dardenne

A caminho de uma terceira Palma de Ouro? Os velhos artesãos do cinema social não surpreenderam com "Tori e Lokita", a história de dois jovens migrantes africanos. Um drama empenhado, mas previsível.

"Nostalgia", Mario Martone

Depois da ensolarada Nápoles ("A Mão de Deus") de Sorrentino, eis a de Mario Martone, com uma história de amizade e regresso à pátria, à sombra da máfia. O actor Pierfrancesco Favino ("O Traidor") tem grandes hipóteses de chegar ao prémio de melhor ator com a interpretação de homem preso ao seu passado.

"Stars at Noon", Claire Denis

A francesa oferece um thriller atmosférico sobre uma jornalista americana presa na Nicarágua. Claire Denis filma em inglês, sem se preocupar com a coerência do guião ou a qualidade do diálogo. Pode esquecê-los e apreciar a banda sonora dos Tindersticks.

"Close", Lukas Dhont

Confirmação do talento do realizador belga Lukas Dhont para filmar a adolescência, mas sobre um assunto, a amizade e o adeus à infância, menos forte que "Girl", sobre uma adolescente trans. Do lado da representação, um actor de 15 anos, Eden Dambrine, pode entrar no palmarés com o papel de um rapaz marcado por uma amizade perdida.

"Frère et Soeur", Arnaud Desplechin

Desplechin não conseguiu conquistar o público do festival com este drama sobre o ódio: uma obra decepcionante com um irmão (Melvil Poupaud) e uma irmã (Marion Cotillard) histericamente conflituosos, unidos pela morte dos pais.

"RMN", Cristian Mungiu


Uma aldeia transilvana como um laboratório explosivo de populismo: o romeno, mais pessimista do que nunca, gostaria de abrir os olhos dos europeus a este mal que os está a corroer. Mas talvez não dê para uma segunda Palma de Ouro, após "4 meses, 3 semanas, 2 dias".

"Leila's Brothers", Saeed Roustaee

Impressionou com um filme de grande impacto sobre as drogas no Irão: pela primeira vez em competição em Cannes, Saeed Roustaee assina um ambicioso fresco familiar, tendo como pano de fundo a crise económica no país dos Mullahs.

"Pacifiction", Albert Serra

Um filme atmosférico, inteiramente guiado pela atuação livre de Benoît Magimel como alto comissário francês no Tahiti. O espanhol filmou 580 horas cenas e milhares de páginas de diálogo, mas parece ter perdido a direção.

"Otto Montagne", Charlotte Vandermeersch e Felix Van Groeningen

Este "bromance" a longo prazo entre dois rapazes italianos, da infância à idade adulta, mistura a poesia das paisagens alpinas com questões sobre a paternidade. No caminho para os cumes montanhosos, este filme rodado a dois deixou alguns festivaleiros à margem.

"Showing up", Kelly Reichardt

A realizadora americana de cinema minimalista ("First Cow") está de volta com uma das suas actrizes favoritas, Michelle Williams, num filme sobre a vida quotidiana de uma artista e a forma como ela se inspira na sua vida.

"Un petit frère" de Léonor Serraille

Léonor Serraille, notada em 2017 com "Jeune femme", conta a história de uma família marfinense que chega a França no final dos anos 80 e se instala nos subúrbios parisienses.

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