Cannes mostrará dois filmes clandestinos de cineastas iranianos
Jafar Panahi faz chegar um filme a Cannes sobre a sua condição de detido e o cinema iraniano.

Cannes 2011  

Cannes mostrará dois filmes "clandestinos" de cineastas iranianos

O Festival de Cannes incluiu na selecção oficial dois filmes rodados de forma "clandestina" pelos cineastas iranianos Jafar Panahi e Mahamad Rasoulov.

A organização do Festival anunciou a projecção de duas obras iranianas na selecção oficial. Ambas as obras foram concretizadas "em condições 'clandestinas' e chegaram ao festival nos últimos dias", como revelaram os organizadores, que completam assim a seleção de filmes que serão exibidos na selecção oficial do 64º Festival de Cannes.

"In Film Nist" ("This Not a Film"), uma obra de Jafar Panahi em co-autoria com Mojtaba Mirtahmasb, é uma decisão surprendente, porque o realizador foi condenado pelas autoridades iranianas a uma pena de seis anos de prisão e está impedido, durante 20 anos, de exercer o seu ofício. Por esse motivo o realizador não conseguiu autorização para estar presente nos festivais de cinema de Cannes e de Veneza, no ano passado, e mais recentemente em Berlim, em fevereiro deste ano.

O cineasta iraniano, 51 anos, enviou na última quinta-feira uma mensagem ao festival garantindo que "o facto de estar vivo e o sonho de manter intacto o cinema iraniano o encoraja a superar as restrições a que está sujeito".

"This is Not a Film" é um documentário que Jafar Panahi dirigiu em conjunto com o seu colaborador e antigo assitente de realização Mojtaba Mirtahmasb. O filme conta como Panahi aguarda, desde há vários meses, a sentença do tribunal de apelo e mostra-o em prisão domiciliária.

Os organizadores do festival declaram que "representando um dia na vida quotidiana, Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb propõem uma visão da situação actual do cinema iraniano".

A outra obra, uma ficção de Mahamad Rasoulov, chamada "Bé Omid é Didar" ("Good Bye"), narra a história de um jovem advogado de Teerão que procura um visto para deixar o país. O filme terá sido rodado no início do ano. A obra foi incluída na competição da secção paralela "Un Certain Regard".

Em declaração conjunta, o director-geral do festival, Thierry Frémaux, e o presidente, Gilles Jacob, garantiram que "o filme de Mohammad Rasoulov e as condições nas quais foi feito, e o diário de Jafar Panahi sobre como é a vida de um artista privado de trabalhar são uma resistência à condenação que os afecta".

Jafar Panahi também será homenageado com um prémio especial da Quinzena dos Realizadores do festival. O realizador, já venceu a Câmara d'Ouro, em 1995, o Urso de Prata em Berlim, em 2006, e o Leão de Ouro em Veneza, em 2000.

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