Casa comum do cinema português

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Casa comum do cinema português

Nove entidades ligadas ao cinema ocupam um edifício no Bairro Alto cedido pela Câmara de Lisboa, um exemplo de partilha e criatividade que pode ser uma saída da crise, destacou o presidente da autarquia.

A Casa do Cinema, na Rua da Rosa, acolhe as sedes da Academia Portuguesa de Cinema, da Associação Portuguesa dos Realizadores, da Apordoc -- Associação pelo Documentário (DocLisboa), da Duplacena (Temps d'Image e FUSO), da ASCULP - Associação Cultura e Cidadania de Língua Portuguesa (FESTin), da Zero em Comportamento (Indie Lisboa), da Associação Janela Indiscreta (Queer Lisboa) e da Monstra -- Festival de Animação de Lisboa.

"Em Portugal é muito difícil juntar duas entidades, juntar dois projetos, mas cada vez mais temos de ser capazes de combinar isso, porque a partilha dos recursos que existem e a sua conjugação têm um efeito multiplicador muito superior. O que esta crise revela é que o maior défice que existe é o défice de imaginação, de criatividade e de atitude para mudar isto.

A prioridade das prioridades tem de ser convocar e ativar tudo o que seja criatividade e inovação, que é daí que vão surgir as saídas para esta crise", afirmou o presidente da câmara da capital, António Costa, na inauguração do espaço.

Questionado sobre se, com esta iniciativa, a Câmara de Lisboa está a colmatar eventuais faltas de apoio ao cinema, António Costa recusou que o município tenha capacidade para se substituir ao Estado.

"Procuramos fazer o nosso papel, esperando que os outros façam o seu papel", disse, acrescentando que a câmara "não pode e não tem capacidade para se substituir ao vazio dos outros", nem a nível cultural nem social, duas áreas que "estão particularmente fragilizadas e carentes, e que são essenciais à vitalidade futura da cidade e do país".

O autarca exemplificou com a aprovação da nova lei das rendas, que "cria um problema para muitos inquilinos", devido à falta de regulamentação do subsídio social de arrendamento.

"A Câmara de Lisboa não tem capacidade para substituir o que o Estado devia ter feito e não fez", disse.

O presidente da Academia Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso, realçou a importância desta atribuição de espaços "num ano tão difícil" para o cinema português, "muito de vacas magras para a produção, que esteve encerrada".

O produtor referiu que cerca de 800 mil pessoas viram filmes portugueses no ano passado. "Se houvesse mais produção portuguesa, com certeza que os portugueses irão mais ao cinema e irão ver o seu próprio cinema".

Cada entidade pagará uma renda simbólica, de 56 euros, sendo a atribuição do espaço por tempo indeterminado.

Num local inteiramente dedicado ao cinema, não foi esquecido o maior antigo realizador português: na sala atribuída à Associação Portuguesa de Realizadores, está exposto o cartaz original do filme "Aniki-Bóbó", de Manoel de Oliveira, destacou a sua presidente, Margarida Gil.

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