Caso Harvey Weinstein abre caminho a dezenas de revelações de assédio sexual

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Caso Harvey Weinstein abre caminho a dezenas de revelações de assédio sexual

São já 50 as mulheres que relataram as suas experiências negativas com o produtor.

Lupita Nyong’o conheceu Harvey Weinstein em 2011, numa cerimónia de atribuição de prémios em Berlim. Na altura, a vencedora de um Oscar de melhor atriz secundária, ainda estudava na Yale School of Drama. Num texto publicado sexta-feira no The New York Times descreveu dois encontros de trabalho subsequentes com o produtor que se transformaram em situações de alegado assédio sexual. O primeiro aconteceu em casa de Weinstein, onde a projeção de um filme acabou com o fundador da Miramax a despir-se frente à então aspirante a atriz. Mais tarde, num restaurante onde Weinstein foi direto à questão e sugeriu a Nyong'o que continuassem a refeição num quarto.

Esta é apenas uma das mais recentes revelações sobre os comportamentos de Harvey Weinstein junto das mulheres. No total, são já 50 as alegações que o acusam de comportamentos impróprios, sugestões de cariz sexual e violações. A lista, compilada pela Vanity Fair, inclui nomes conhecidos como as atrizes Ashley Judd, Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Eva Green, Angie Everhart, Kate Beckinsale, ou Cara Delevingne, e também produtoras, funcionárias e jornalistas.

Tudo começou a 5 de outubro, com a publicação de um artigo no The New York Times. Rose McGowan e Ashley Judd eram dois dos nomes citados num texto que relatava décadas de alegado assédio sexual por parte do até então poderoso Harvey Weinstein, fundador da Miramax e da Weinstein Co. com o seu irmão Bob, produtor de filmes como "Pulp Fiction", "O Paciente Inglês", ou "A Paixão de Shakespeare". O tema ganhou ainda mais força cinco dias depois com outro artigo, desta vez do The New Yorker, com acusações de outras 13 mulheres.

As consequências para Weinstein têm-se sucedido. Demitido da sua própria empresa, foi expulso das academias norte-americana e britânica. A França prepara-se para lhe retirar a Legião de Honra atribuida em 2012. As associações profissionais dos produtores e realizadores iniciaram o processo para o remover da lista de associados. Existem mesmo petições em marcha para apagar o seu nome dos créditos das obras que produziu.

Além disto tudo há as investigações policiais que decorrem. Em Los Angeles, a investigação teve início na queixa de uma modelo italiana que acusa Weinstein de a ter violado. Em Nova Iorque e Londres, as autoridades estão a tentar saber mais sobre idênticas alegações.

Os outros

Weinstein não foi o único a ser citado nesta onda que traz finalmente a público algo que até agora só era falado em segredo, ou indiretamente.

Roy Price, que chefiava a Amazon Studios, demitiu-se a 18 de outubro, após se saber de um caso de assédio a uma produtora.

A 19 de outubro, a Nickeloden despede Chris Savino, showrunner da série de animação "Loud House". Savino foi acusado de comportamentos impróprios por 12 mulheres com quem trabalhou ao longo dos anos.

Outros casos incluem Lockhart Steele, diretor editorial da Vox Media; Andy Signore, vice-presidente da Defy Media e criador dos vídeos "Honest Trailers"; e o guitarrista Matt Mondanile, despedido da banda Real Estate por um caso que ocorreu em fevereiro, mas só foi revelado agora.

O nome mais recente a ser lançado neste tema é o do realizador e argumentista James Toback (nomeado para um Oscar pelo argumento do filme "Bugsy"), acusado de assédio por 38 mulheres num artigo publicado este domingo, no Los Angeles Times.

#MeToo

Entretanto, nas redes sociais, a atriz Allisa Milano lançou a hashtag #MeToo para reunir depoimentos de outras mulheres vítimas de assédio.

Figuras públicas como as cantoras Björk e Lady Gaga, a modelo Cameron Russell, ou as ginastas olímpicas McKayla Maroney (EUA) e Tatiana Gutsu (Roménia) juntaram-se a milhares de anónimas na denúncia de casos envolvendo violações, comportamentos impróprios, ou assédio sexual.

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publicado 20:41 - 22 outubro '17

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