Ciclo Bergman: um doce sabor a cinefilia
"Morangos Silvestres" foi uma das longas-metragens de Ingmar Bergman em reposição no ciclo organizado pela Leopardo Filmes.

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Ciclo Bergman: um doce sabor a cinefilia

A Leopardo Filmes exibe desde janeiro, em Lisboa, uma seleção de obras do realizador sueco Ingmar Bergman. A adesão do público está a ser uma boa surpresa.

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No total foram mais de dez mil espectadores, por agora localizados numa só cidade (Lisboa) e concentrados num só cinema (Nimas). Mais importante, nos quatro fins de semana desde que o ciclo Bergman teve início têm sido estas reposições a liderar a média por ecrã do box office português.

Esta semana "Lágrimas e Suspiros" (729 espectadores / 72,9 por sessão); na semana anterior "Cenas da Vida Conjugal" (791 espectadores / 132 por sessão) e antes, "Sonata de Outono" (957 espectadores / 95,7 por sessão) e "Morangos Silvestres" (1.054 espectadores / 105 por sessão).

Dito de outra maneira, as sessões dos filmes de Ingmar Bergman, foram das que mais audiência média tiveram durante os dias de exibição, acima de outras estreias de longas-metragens novinhas em folha como "O Clube de Dallas" (378 espectadores por cópia), ou "O Lobo de Wall Street" (659 espectadores por cópia).

Olhemos para os números de espectadores fornecidos pela distribuidora:

  1. O Sétimo Selo - 1.089
  2. Morangos Silvestres - 1.054
  3. Sonata de Outono - 957
  4. A Máscara/Persona - 951
  5. Mónica e o Desejo - 942
  6. Fanny e Alexandre - 824**
  7. Sorrisos de Uma Noite de Verão - 788
  8. Lágrimas e Suspiros - 729***
  9. Cenas da Vida Conjugal - 679**
  10. Em Busca da Verdade - 628
  11. O Silêncio - 476
  12. Um Verão de Amor - 414*
  13. O Olho do Diabo - 352*
  14. A Prisão - 314*
  15. Uma Lição de Amor - 312*
  16. Da Vida das Marionetas - 295*
  17. Ritual - 236*
* exibido apenas um dia;
** apenas três sessões diárias;
*** números do ICA relativos ao último fim de semana;
todos os outros filmes tiveram 5 sessões diárias.


A partir de 20 de fevereiro o ciclo alarga-se ao Porto (no Teatro do Campo Alegre) e ainda a Coimbra (Teatro Académico Gil Vicente), Braga (Theatro Circo), Castelo Branco (Cine-Teatro Avenida), Setúbal (Auditório Charlot) e Figueira da Foz (Centro de Artes e Espectáculos).

Os horários e preços estão disponíveis no site da Medeia Filmes.




Criar públicos através do passadoO que significam estes valores para além da interpretação linear dos números? Acima de tudo que ainda subsiste um amor ao cinema e um interesse que, por vezes, julgamos desaparecido. E que há espaço no depauperado e, por vezes, irritantemente desorganizado mercado nacional, para a cinefilia, para o gosto puro pelo cinema e pela sua história.

Não se esgota no Bergman esta ideia de recuperar o passado. As sessões clássicas da parceria Warner e UCI cinemas, trouxeram de volta, com resultados desiguais - melhor a reposição de "Taxi Driver" e "Lawrence da Arábia" do que a de "Daqui Até à Eternidade", por exemplo - alguns grandes filmes do catálogo do estúdio.

Também a subida de "Vertigo" ao topo da lista da Sight & Sound foi pretexto para a Midas fazer regressar a obra de Hitchcock. E a Leopardo Filmes relembrou o japonês Yasushiro Ozu com cópias restauradas de "O Gosto do Saké" e "Viagem a Tóquio".

Mas de todas estas iniciativas, a que melhor receção tem tido é mesmo este ciclo do sueco Bergman. Porquê? Com algum grau de segurança pensamos serem quatro os fatores essenciais para este sucesso. Nenhum deles uma novidade por aí além. Tudo no negócio do cinema é de uma facilidade teórica abismal, mas frequentemente difícil de colocar em prática:

  • A qualidade das cópias. O trabalho de conservação e restauro acrescenta valor para o público e ajuda na promoção.
  • A dimensão da mostra confere-lhe solidez, mesmo que nem todos os títulos despertem o mesmo interesse.
  • A popularidade do realizador e a disponibilidade das suas obras - a frequência com que são exibidas noutras plataformas como a televisão.
  • A divulgação, os preços e os horários.
Parece claro que as reposições de grandes obras do cinema têm espaço comercial no mercado português. Nem todas funcionarão da mesma forma, mas existe público para elas desde que obedeçam aos requisitos acima enumerados. A tal "criação de novos públicos", de que muito se fala, passa por aqui. Já são mais de cem anos de história e há muito cinema bom para (re)ver.

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publicado 19:46 - 04 fevereiro '14

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