Estreias  

Cinema de contenção e pudor

Tendo como matéria fundamental os seus actores principais, Colin Firth e Stanley Tucci, "Supernova" faz-nos regressar a uma nobre tradição dramática e melodramática, neste caso de raiz inglesa.

Cinema de contenção e pudor
Colin Firth e Stanley Tucci — há mais mundos para lá dos super-heróis...
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Cinema "psicológico"? A dúvida, talvez o preconceito, obrigam-nos a usar as aspas... E, no entanto, um filme como "Supernova", escrito e realizado por Harry Macqueen, é um legítimo herdeiro de uma nobra tradição dramática e melodramática. Mais do que isso, transversal, isto é, pontuando cinematografias das mais variadas origens geográficas e culturais — de Inglaterra, por exemplo.

Num contexto em que os filmes de super-heróis e as aventuras mais ou menos galácticas têm todos os privilégios promocionais, importa destacar a solidão de um filme como este. Acima de tudo, "Supernova" vem lembrar-nos que há um cinema que se faz, não de ostentações tecnológicas, mas da amostragem da complexidade dos laços humanos.
 

Numa sinopse rudimentar, podemos dizer que esta é a história de um casal formado por dois homens — um deles foi diagnosticado como sofrendo de demência e ambos tentam preparar-se para dias cada vez mais difíceis. O resultado poderia ser pesadamente simbólico, mas é, sobretudo, delicadamente realista. Dito de outro modo: não um filme "sobre" o amor homossexual, não um ensaio "sobre" como enfrentar uma doença drástica. Ou ainda: não uma generalização esquemática, antes uma história de seres humanos, vivos e comoventes...

O filme acompanha uma viagem desses dois homens unidos pelo amor, assombrados pela doença — vão visitar familiares e amigos e todos sabem que aquela viagem pode ser a última que fazem em conjunto. Harry Macqueen encena tudo isso com contenção e pudor, apostando forte nos trunfos humanos, precsiamente. Que é como quem diz: nos seus actores principais — Colin Firth e Stanley Tucci são magníficos, raras vezes os vimos tão incisivos e, ao mesmo tempo, tão vulneráveis.

Crítica de João Lopes
publicado 00:09 - 19 junho '21

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