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Cinema intimista e minimalista

A cineasta francesa Valérie Massadian aposta em encenar um par que vive uma existência precária: "Milla" possui as componentes de uma ficção "quase" documental, apoiada na cumplicidade dos seus intérpretes.

Cinema intimista e minimalista
Luc Chessel e Séverine Jonckeere — entre ficção e documentário
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 Cinema intimista e minimalista
Milla Milla, 17 anos e Leo, não muitos mais, refugiam-se numa pequena cidade no Canal da Mancha. Viver um amor. Inventar uma vida e agarrá-la, custe o que custar e apesar de tudo.
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O filme "Milla", de Valérie Massadian não é um documentário... E, no entanto, ganhou a competição internacional da edição de 2017 do DocLisboa. Aliás, em vez de no entanto, talvez devamos dizer: precisamente por causa disso. Estamos, de facto, perante um desses sugestivos exemplos de algum cinema contemporâneo que aposta no desafio à tradicional fronteira ficção/documentário.

Trata-se de lançar um vector ficcional mínimo, para não dizer minimalista. Deparamos, assim, com Milla e o seu companheiro, personagens interpretadas, respectivamente, por Séverine Jonckeere e Luc Chessel. O que sabemos deles confunde-se com o carácter precário do que lhes vai acontecendo numa pequena cidade da Mancha — vivem uma existência marginal, obviamente limitada nos seus recursos financeiros...

Tudo se passa como se Massadian os filmasse através de uma discreta, mas continuada, sugestão documental: primeiro, porque sentimos que as durações de muitas situações nascem do inesperado, porventura do improviso, da própria relação dos intérpretes com a câmara; depois, porque surgem como peões incautos de cenários pouco acolhedores, paradoxalmente sedutores.

Até que nasce uma criança... que é, afinal, interpretada pelo filho da própria Jonckeere. E, se é verdade que, antes, o filme parecia andar tão à deriva como os seus (anti-)heróis, não é menos verdade que, a partir daí, "Milla" adquire uma nova intensidade emocional. Os resultados são, por certo, hesitantes, algo carentes de equilíbrio dramático. Ao mesmo tempo, possuem uma verdade intimista que não é fácil de gerar/registar através de uma câmara de filmar — e cada vez que aparece, o filho de Jonckeere, misto de fragilidade e rebeldia, domina todas as cenas.

Crítica de João Lopes actualizado às 23:37 - 29 agosto '18
publicado 23:26 - 29 agosto '18

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