Cinemateca abre concurso para digitalizar filmes portugueses

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Cinemateca abre concurso para digitalizar filmes portugueses

A Cinemateca Portuguesa tem em curso, até ao final de julho, um concurso público internacional para escolher um ou mais laboratórios para executar a digitalização de cinema português, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

De acordo com o anúncio divulgado em Diário da República, o concurso público terá um preço base de 8,2 milhões de euros, para a "aquisição de matrizes e cópias digitais do cinema português, para efeitos de digitalização de 43.000 minutos de obras cinematográficas do cinema português originalmente produzidas em película, ou exibidas neste suporte".

À agência Lusa, o subdiretor da Cinemateca, Rui Machado, explicou que este concurso - no qual a Cinemateca receberá propostas até ao final de julho - tem como objetivo "encontrar o laboratório, ou o consórcio de laboratórios, que consiga realizar a digitalização preconizada na medida do PRR", até ao final de 2025.

Segundo o PRR, a intenção é digitalizar um milhar de filmes portugueses, sobretudo longas-metragens, em película, embora no anúncio do concurso público a unidade de medida referida seja a digitalização de 43.0000 minutos de obras cinematográficas.

"Num concurso com estas características, a melhor maneira de definir o objeto do concurso passa pelo número de minutos e não pelo número de títulos. (...) Assim, tanto a Cinemateca, como o laboratório vencedor terão um objetivo de produção mais claro e bem definido sobre o que se pretende", explicou Rui Machado.

O documento inicial do PRR indica dez milhões de euros para a compra de equipamento e aquisição de serviços para a digitalização, mas o concurso refere 8,2 milhões de euros.

A diferença de verba "servirá para outras aquisições e despesas que não estão previstas neste concurso, mas que são essenciais nesta medida de digitalização do cinema português", nomeadamente o aumento da capacidade de armazenamento do arquivo digital da Cinemateca e despesas com legendagem, enumerou Rui Machado.

"Com vista a limitar o transporte para fora da Cinemateca dos materiais em película cinematográfica", grande parte das etapas do trabalho de digitalização será feita no Arquivo Nacional da Imagem em Movimento (ANIM), com "recursos humanos a cargo do vencedor do concurso".

"Todo o trabalho de pós-produção a partir das capturas (de imagem e som das obras) feitas no departamento ANIM será feito fora das instalações da Cinemateca", referiu Rui Machado.

Quanto aos 900.000 euros previstos no PRR para modernização do ANIM, prevê-se o uso integral da verba até ao final deste ano.

Em dezembro de 2021, numa sessão de apresentação dos investimentos previstos no PRR para a área da Cultura, o diretor da Cinemateca, José Manuel Costa, dizia que o projeto de digitalização será uma oportunidade de divulgar o cinema português "como nunca chegou a ser até agora".

"Há um potencial enorme deste património para ser conhecido e desejado pela população. O que se trata agora é de responder a essa possibilidade", disse.

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