Clássicos e... muito modernos
Jean-Louis Trintignant e Dominique Sanda em "O Conformista": foi há 41 anos

Memórias  

Clássicos e... muito modernos

Tornou-se um dos espaços emblemáticos de Cannes: a secção de clássicos inclui, este ano, nomes como Bernardo Bertolucci, Rainer Werner Fassbinder e Jean Rouch.

Que faz de um filme um clássico?

Talvez um paradoxo, simultaneamente temático e estético. Ou seja: um filme clássico é aquele que nos fala a partir de um tempo mais ou menos distante, eventualmente remoto, mas que parece pertencer sempre ao nosso presente. Exemplo: "O Conformista" (1970), de Bernardo Bertolucci, com Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli e Dominique Sanda -- um retrato da classe média italiana, nos anos 30, e do seu envolvimento com os desígnios do fascismo, ou seja, uma visão cujo sentido de parábola não se desvaneceu.

"O Conformista" é um dos títulos que Cannes colocou na sua secção de clássicos, uma escolha tanto mais importante quanto Bertolucci vai ser homenageado com uma Palma de Ouro pela sua carreira.

Entre os outros filmes a apresentar (em cópias restauradas), há de tudo um pouco, desde o génio criativo de Georges Méliès ("Viagem à Lua", 1902) ao realismo cru de Rainer Werner Fassbinder ("Despair", 1978), passando pelo sentido experimental de Jean Rouch e Edgar Morin na época da Nova Vaga ("Chronique d'un Été", 1960). São memórias que permanecem exemplarmente modernas.

A secção de clássicos cruza-se ainda com a celebração de outro homenageado, Jean-Paul Belmondo, através da passagem de "Le Sauvage/Meu Irresistível Selvagem" (1975), filme de Jean-Paul Rappeneau em que o actor contracena com Catherine Deneuve. Robert De Niro, presidente do júri oficial, estará representado pelo seu primeiro trabalho como realizador, "A Bronx Tale/Um Bairro em Nova Iorque" (1993).

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publicado 23:17 - 10 maio '11

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