Clint Eastwood celebra 90 anos
"Bronco Billy" (1980): um dos filmes mais pessoais de Clint Eastwood

Hollywood  

Clint Eastwood celebra 90 anos

Clint Eastwood nasceu em São Francisco, a 31 de maio de 1930 — no dia em que faz 90 anos, vale a pena revisitar algumas memórias soltas da sua admirável trajectória criativa.

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Mais de 70 filmes como actor... Cerca de quatro dezenas de títulos como realizador... Em torno da carreira de Clint Eastwood, há um lugar-comum que emerge com frequência: assim, para lá de uma fase em que foi, sobretudo, uma figura do "western", a sua afirmação como autor teria começado quando os Oscars o consagraram. A saber: com "Imperdoável", título de 1992 que arrebatou quatro estatuetas douradas, incluindo melhor filme e melhor realização.

Pois bem, o dia presta-se a que, no mínimo, lembremos a multiplicidade de facetas do trabalho de Eastwood. Isto porque ele nasceu, em São Francisco, no dia 31 de maio de 1930 — ou seja: celebra hoje uns radiosos 90 anos.

Mesmo no "western", a sua trajectória é tanto mais rica e motivadora quanto, na primeira fase da sua carreira, envolve a série televisiva "Rawhide" (1959-1965) e, claro, a célebre trilogia que rodou em Itália sob a direcção de Sergio Leone: " Por um Punhado de Dólares" (1964), "Por mais alguns Dólares (1965) e "O Bom, o Mau e o Vilão" (1966) [trailer].


Em boa verdade, antes de "Imperdoável", Eastwood já fizera um desencantado retrato da herança mitológica do velho Oeste naquele que é, por certo, um dos seus filmes mais pessoais (e também menos conhecidos): "Bronco Billy" (1980), drama insólito em que assume a personagem de uma vedeta de circo que tenta preservar a dimensão lendária da história do Oeste e das memórias do "western".

Claro que o "western", tal como o "thriller", surge na linha da frente do seu BI cinematográfico — foi ele, afinal, que interpretou o implacável "Dirty Harry/A Fúria da Razão" (1971), sob a direcção do seu amigo e mestre Don Siegel.

Mas convém não esquecer, por exemplo, que há na sua visão do mundo um lugar muito especial para a música — jazz & etc. E não só porque ele é um compositor/intérprete mais ou menos intermitente, responsável por vários temas das bandas sonoras de filmes seus. Também porque isso o levou a assinar alguns títulos exemplares sobre figuras emblemáticas do universo musical, com inevitável destaque para "Bird" (1988), sobre Charlie Parker.

Não esqueçamos também que, desde o primeiro título que realizou — "Play Misty for Me/Destinos nas Trevas" (1971) —, Eastwood tem sido um observador paciente, por vezes contundente, dos contrastes e contradições da sociedade americana. E bastará recordar as suas três últimas realizações para o confirmar: "15:17 Destino Paris" (2018), "Correio de Droga" (2018) e "O Caso de Richard Jewell" (2019).

Enfim, não esqueçamos também que vários dos seus filmes expõem uma mágoa romântica que o coloca em linha directa com toda uma escola narrativa eminentemente clássica. Um título bastará para o exemplificar: "As Pontes de Madison County" (1995), em que contracena com Meryl Streep [trailer].

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publicado 18:27 - 31 maio '20

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