Como Jafar Panahi (não) está em Cannes
Jafar Panahi: um filme é um filme é um filme

"Isto Não é Um Filme", de Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb  

Como Jafar Panahi (não) está em Cannes

Chama-se "Isto Não É um Filme" e testemunha a situação de vida do iraniano Jafar Panahi, condenado pela justiça do seu país, impedido de filmar. Ou seja: um grande momento de defesa da liberdade artística.

Jafar Panahi: iraniano, cineasta, condenado pelos tribunais do seu país. O ano passado, convidado para membro do júri de Cannes, não pôde estar presente. Este ano, vivendo confinado ao espaço da sua casa, em Teerão, aguardando o desenvolvimento do seu processo, Panahi está no festival através de... um filme!

Chama-se, por calculada ironia, "Isto Não É um Filme". Co-realizado por Panahi e Mojtaba Mirtahmasb, vêmo-los com uma câmara digital (e um telemóvel), registando momentos soltos da existência de Panahi: atendendo telefonemas, consultando a Internet, alimentando a sua iguana... Enfim, tentando perceber como pode evoluir o seu processo legal.

Não é um documentário em sentido estrito, mas sim um objecto que, literalmente, documenta uma situação muito concreta. O seu tema é, afinal, a clausura de um cineasta que está impedido de filmar mas que, por deliciosa capacidade de invenção, nos consegue fazer chegar um "não-filme", incisivo e sugestivo.

A passagem de "Isto Não É um Filme" fica como um dos momentos mais intensos deste 64º Festival de Cannes: uma verdadeira celebração da liberdade artística, sem discursos pomposos, colada à pulsação do dia a dia. Panahi recebe-nos em sua casa e isso faz com que o cinema não morra.

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publicado 00:00 - 20 maio '11

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