Veneza 2019  

Deneuve e Binoche triunfantes com Kore Eda

Festival abriu com o primeiro filme que unta as duas atrizes francesas

O festival de Veneza começou com um filme sobre verdade e mentira e que desenvolve uma história que é habilmente construída em torno da relação uma atriz e de uma argumentista - o drama familiar parte da escrita de um biografia e é acentuado em torno da percepção da memória dos factos, o que permite entrar no universo da ficção versus realidade.

O japonês Kore Eda Hirokazu realiza o seu primeiro filme europeu mas não sai exatamente do território do seu cinema já que continua a trabalhar a relações familiares, as expectativas, desilusões, rancores, amor não dito, o papel que cada um representa nesse núcelo.

O seu filme 'francês' é tão sentido e emocional como as suas obras japonesas, mas parece estranho porque há um tempo, uma sensibilidade visual e estética que não se aplica verdadeiramente a uma família ocidental.

O seu triunfo está naquilo que dá às duas atrizes - há muito que não víamos Catherine Deneuve e Juliette Binoche em papéis que exigem o seu melhor e fazem sobressair as suas competências dramáticas.

Juntá-las pela primeira num filme assim, onde se confrontam com matéria humana e cinematográfica é uma dádiva.

Ironia suprema: o filme não ficou pronto a tempo de ser exibido no Festival de Cannes em maio passado, um ano depois de Kore Eda ter ganho a Palma de Ouro com "Shoplifters - Uma Família de Pequenos Ladrões". Veneza aproveitou a oportunidade exibindo-o na noite de abertura. Este foi um início de festival histórico e que será recordado durante muito tempo.

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publicado 15:45 - 30 agosto '19

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