Desenhos animados à la française

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Desenhos animados "à la française"

Um belo filme de Natal: em "O Mágico", Sylvain Chomet revisita e reinventa o universo de Jacques Tati, agora através da animação cinematográfica.

Valerá a pena lembrar que o cartaz original do filme "O Mágico" é mesmo este que aqui se reproduz. Dito de outro modo: sem desprimor (antes pelo contrário...) pelas maravilhas que, nos últimos anos, nos têm chegado dos estúdios americanos, convém não esquecer que estamos perante um filme de raiz francesa, dirigido por um francês, Sylvain Chomet ("Belleville Rendez-vous"), e coproduzido por França e Grã-Bretanha.

Não se trata de defender nenhuma forma de nacionalismo (ou "continentalismo") mas, em primeiríssimo lugar, de não menosprezar o facto de este ser um objecto indissociável do nome, da obra e da inspiração de um dos grandes mestres da comédia europeia: o francês Jacques Tati (1907-1982). Chomet adapta, aqui, um argumento que Tati escreveu, mas nunca filmou, integrando diversas componentes temáticas e figurativas indissociáveis da obra de Tati e, sobretudo, da personagem do Sr. Hulot, por ele assumida em clássicos como "O Meu Tio" (1958) ou "Playtime" (1967).

"O Mágico" é a história de um ilusionista tão entregue à sua arte que mantém uma relação distante e "distraída" com o resto do mundo; o seu destino cruza-se com uma jovem, protagonizando ambos um processo de descoberta com tanto de alegria como de desencanto. Não será um filme muito protegido pelas formas dominantes do marketing cinematográfico, mas é, seguramente, a mais bela estreia da quadra natalícia.

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publicado 13:35 - 24 dezembro '10

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