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Dinossauros de sequela em sequela...

A saga iniciada em 1993, com "Parque Jurássico", chega agora ao seu quinto título: muito longe da invenção dos dois primeiros filmes assinados por Steven Spielberg, "Mundo Jurássico: Reino Caído" parece indiciar uma saturação sem remédio.

Dinossauros de sequela em sequela...
Ao quinto filme, a "franchise" dos dinossauros parece ter chegado a um ponto de esgotamento...
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Assim vai o mundo das sequelas... Ou seja: não vai muito bem. É bem verdade que "Parque Jurássico" (1993) e "O Mundo Perdido" (1997), ambos dirigidos por Steven Spielberg, eram magníficos espectáculos elaborados a partir dos livros de Michael Crichton — talvez até, coisa rara, o segundo melhor que o primeiro... O certo é que, ao chegarmos agora ao quinto título desta "franchise", "Mundo Jurássico: Reino Caído", a banal continuidade imposta por uma mera lógica de marketing parece dispensar a invenção cinematográfica.

Podemos até considerar que há, aqui, um ponto de partida que envolve uma sugestiva viragem. Assim, já não se trata apenas de tentar encontrar um habitat seguro para os dinossauros concebidos por manipulação genética — trata-se, acima de tudo, de impedir que a voracidade humana acabe por destruir, de forma irrevogável, os próprios dinossauros, uma vez que se passou para a fase da sua comercialização junto dos ricos e poderosos...
 

Um esclarecedor sintoma das fraquezas do filme está no (não) funcionamento do seu par central: Bryce Dallas Howard e Chris Pratt constituiriam esse resquício de romantismo, primitivo e nostálgico, simbolizado pelos que se mostram empenhados em salvar os dinossauros... Primeira dificuldade: digamos que numa escala de 0 a 5 a vibração emocional de Pratt se mantém no -1... Mas o verdadeiro problema está nas opções dramáticas do próprio filme: como construir uma genuína aventura quando as suas personagens humanas são reduzidas a entidades sem espessura, meros figurantes na confusão dos efeitos digitais?

A realização do espanhol J. A. Bayona (realizador de títulos tão curiosos como "O Impossível" ou "Sete Minutos Depois da Meia-Noite", respectivamente de 2012 e 2016) parece satisfazer-se com a banal gestão desses efeitos, reduzindo a narrativa a uma acumulação de sequências que funcionam como "números" desgarrados e, por vezes, mononotonamente repetitivos... A herança de Crichton e Spielberg merecia francamente melhor.

Crítica de João Lopes actualizado às 23:52 - 07 junho '18
publicado 23:49 - 07 junho '18

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