O regresso dos manos Weinstein

Box Office  

O regresso dos manos Weinstein

O Oscar de Melhor Filme para "O Discurso do Rei" marca o regresso dos Weinstein aos momentos de glória dos tempos da Miramax.

Em 2005, Harvey e e Bob Weinstein deixaram a Miramax entregue à Disney e fundaram uma nova empresa com o apelido de ambos: The Weinstein Company (TWC). Após um início pouco auspicioso os dois irmãos parecem ter reencontrado o caminho do sucesso. O Oscar de Melhor Filme para "O Discurso do Rei" é o primeiro da TWC e abre o caminho para a recuperação da empresa.

O segredo do sucesso no jogo da distribuição de filmes independentes - a especialidade assumida dos Weinstein - não é acertar sempre e conseguir grandes receitas com todos os filmes. Basta um ou outro sucesso para encher os cofres da empresa. Quanto ao resto, é sabido que por cada dez ou vinte apostas só um filme funciona. Como as produções são relativamente baratas é fácil controlar os danos.

O problema é que, nos primeiros anos da TWC, o tal sucesso não apareceu. Não houve um "Paixão de Shakespeare" ou um "Paciente Inglês" a surgir do nada para a glória nas salas mundiais. Só "O Leitor", com cinco nomeações para os Oscars, em 2008, deu algum retorno ao ultrapassar os 100 milhões de receita global.

Em 2009, Harvey e Bob já recorriam aos serviços de especialistas em reestruturações empresariais e procediam a despedimentos.

Pouco tempo antes do lançamento de "Sacanas Sem Lei" havia quem duvidasse que a Weinstein tivesse sequer dinheiro para promover o filme na América do Norte.

O filme tornou-se no maior êxito da história da jovem empresa. Infelizmente, o contrato de distribuição obrigava a dividir os lucros a meio com a Universal e os advogados de Tarantino e Pitt negociaram condições excepcionais para os seus clientes.

Foi então que estreou "Nine" o filme de Rob Marshall (premiado por "Chicago", em 2002). Foi o projecto mais caro de sempre da TWC. Custou 80 milhões a produzir (mais os custos de marketing e cópias) e rendeu uns míseros 54 milhões de dólares em todo o mundo.

O fracasso abanou ainda mais as finanças dos Weinstein e resultou em nova onda de despedimentos. Em Junho do ano passado foram forçados a ceder o catálogo de mais de 200 filmes à Goldman Sachs como pagamento de parte de uma dívida de 450 milhões de dólares.

A vitória de "Discurso do Rei" nos Oscars deste ano e a excelente carreira comercial que o filme tem tido podem bem ser o impulso necessário para dar solidez à TWC.

Antes da entrega dos prémios o filme somava 114 milhões de dólares em receita bruta na América do Norte e um total de 245 milhões em todo o mundo para um singelo custo de produção de 15 milhões.

O Los Angeles Times prevê que os Weinstein possam terminar com um lucro entre 75 a 100 milhões de dólares, um valor que dará alguma margem de manobra à empresa.

Tão ou mais importante é o facto de os Oscars servirem como isco para novos projectos. Tarantino vai manter-se fiel aos amigos e dará início à produção do seu próximo filme muito em breve. Também Tom Hooper, recém-premiado com a estatueta de Melhor Realizador, parece interessado em continuar ligado à TWC.

Ligações de interesse:


Weinstein Debt Wiped Clean in Deal with Goldman, Ambac

'King's Speech' helps restore Weinsteins to film royalty

Weinstein Could Have Quentin Tarantino & Tom Hooper Projects Next After Oscars

por
publicado 17:09 - 01 março '11

Recomendamos: Veja mais Artigos de Box Office