Do México, com realismo
Viagem ao mundo violento de Heli (ao centro, interpretado por Armando Espitia)

Cannes dia 1: HELI  

Do México, com realismo

O México está na competição do Festival de Cannes através de "Heli", um filme de Amat Escalante que aborda as convulsões de uma realidade violentamente marcada pelo tráfico de droga.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Do México, com realismo
Heli No México, a família de Estela, uma menina de 12 anos entra numa engrenagem de violência quando ela se apaixona por um polícia implicado em desvio de drogas.

É bem verdade que o realismo está a marcar muitas zonas da actual produção cinematográfica, nos mais variados contextos geográficos e culturais. Aliás, em boa verdade, devemos falar de realismos (no plural), já que cada conjuntura tende a produzir linguagens específicas nessa procura de mais verdade.

A verdade de Heli, na competição de Cannes em representação do México, provém de um sentimento quase documental com que se aproxima dos factos narrados. Há neles uma contundência pouco comum: esta é a história de uma menina de uma família muito pobre que se apaixona por um jovem que treina para pertencer às forças policiais; apesar das dificuldades do meio em que vivem, decidem casar-se. Acontece que ela tem 12 e ele 17 anos...

Amat Escalante, autor do argumento e realizador, tem a seu favor a crueza da constatação do seu olhar. Estamos perante uma realidade brutal, em permanente guerrilha, tendo por pano de fundo as transacções do mundo da droga. No seu programa "descritivo" (incluindo uma detalhada cena de tortura) e, à sua maneira, didáctico, "Heli" fica como um sintoma positivo, mas menor, das potencialidades de um olhar realista.

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publicado 23:58 - 15 maio '13

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