Doc Lisboa aposta em cinema português
João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, em Locarno. "A Última Vez que Vi Macau" abre DocLisboa.

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Doc Lisboa aposta em cinema português

O festival de cinema documental revelou uma forte programação portuguesa como reação à conjuntura de crise económica.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Doc Lisboa aposta em cinema português
A Última Vez Que Vi Macau "A Ultima Vez Que Vi Macau”, conta a história de um homem que recebe em Lisboa um e-mail de uma amiga que não via há anos, Candy, e que lhe pede que vá ter com ela a Macau, onde estão a acontecer coisas estranhas e assustadoras. Ele próprio vivera em Macau há muitos anos e ali passara os melhores tempos da sua vida, sendo esta viagem também um regresso às suas próprias memórias.

A 10ª edição do Doclisboa vai exibir em outubro 68 filmes portugueses, com o objetivo de dar visibilidade aos jovens cineastas, revelou a organização do Festival de Cinema Internacional.

A programação do festival, organizado pela Apordoc - Associação pelo Documentário, foi hoje apresentada na Culturgest pela direção e alguns dos parceiros habituais na produção, como a Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.

Susana de Sousa Dias, Cinta Pelejà, Cíntia Gil e Ana Jordão, responsáveis pela direção do certame dedicado ao cinema documental, sublinharam que o festival foi feito num "quadro de crise económica e social, que também se refletiu no cinema, porque este ano não foram abertos concursos de apoios públicos".

No entanto, a organização decidiu apostar este ano na exibição de filmes portugueses: no total de 186 filmes que o festival vai exibir, 68 são portugueses.

Em declarações à agência Lusa, no final da conferência de imprensa, Cinta Pelejà, da direção do Doclisboa, indicou que nesta edição, de décimo aniversário, "há um aumento considerável de filmes portugueses para dar visibilidade aos jovens cineastas".

"Há sobretudo mais curtas-metragens portuguesas e várias primeiras obras em longa-metragem, três delas em competição, e que foram totalmente autoproduzidas", vincou a responsável, sustentando que o objetivo é "incentivar os novos realizadores".

Essas três primeiras obras, que serão exibidas no festival em estreia mundial, são "Cativeiro", de André Gil Mata, "O Sabor do Leite Creme", de Rossana Torres e Hiroatsu Suzuki, e "Seems so Long Ago, Nancy", de Tatiana Macedo.

Dos 68 filmes portugueses, nove longas (todas em estreia mundial) e oito curtas-metragens estarão em competição a nível nacional.

A sessão de abertura do Doclisboa está marcada para 18 de outubro também com um filme português, "A Última Vez que Vi Macau", de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, distinguido no Festival de Cinema de Locarno com uma menção especial do júri.

Esta longa-metragem vai ser a única portuguesa na competição internacional, que conta com um total de 11 filmes, entre eles "The Burning Bright - Scenes from the Class Struggles in Madrid", de Sylvain George (França), em estreia mundial, e "Sofias Last Ambulance", primeira obra de Ílian Metev (Bulgária, Croácia, Alemanha).

O Doclisboa vai também promover um conjunto de mesas-redondas, entre as quais uma sobre os laboratórios independentes em Portugal, com o objetivo de abrir o debate público sobre o destino dos equipamentos laboratoriais da Tobis, a mais antiga produtora portuguesa de cinema, vendida este ano a privados.

O encerramento do Doclisboa está marcado para 28 de outubro, com a obra "Cesare Deve Morire", de Paolo e Vittorio Taviani (Itália), vencedor do Urso de Ouro da edição deste ano do Festival de Berlim.

O cineasta romeno Andrei Ujica, que realizou "The Autobiography of Nicolae Ceausescu" (2010), vai presidir ao júri da competição internacional, que reunirá quatro prémios.

Será também atribuído um prémio para o melhor documentário de investigação, e cinco prémios na competição portuguesa.

Entre 18 e 28 de outubro, o festival vai decorrer em sete espaços culturais de Lisboa: Culturgest, Cinema Londres, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa, Carpe Diem Arte e Pesquisa, Galeria Palácio Galveias e LuxFrágil.


10º DocLisboa: competição nacional
Longas-metragens

Amanhecer a Andar (Walking at Dawn), Sílvia Firmino, Portugal, 2012 (Estreia Mundial)
Cativeiro (Captivity), André Gil Mata, Portugal, 2012 (Primeira Obra e Estreia Mundial)
Deportado, Nathalie Mansoux, Portugal, França, 2012 (Primeira Obra e Estreia Mundial)
Le Pain que le Diable à Petri (O Pão que o Diabo Amassou), José Vieira, Portugal, 2012 (Estreia Mundial)
O Regresso (The Return), Júlio Alves, Portugal, 2012 (Estreia Mundial)
O Sabor do Leite Creme (The Taste of Créme Brûlèe), Rossana Torres e Hiroatsu Suzuki, Portugal, 2012 (Primeira Obra e Estreia Mundial)
Seems So Long Ago, Nancy, Tatiana Macedo, Portugal, 2012 (Primeira Obra e Estreia Mundial)
Sobre Viver (Living On), Cláudia Alves, Portugal, 2012 (Primeira Obra e Estreia Mundial)
Terra de Ninguém (No Man’s Land), Salomé Lamas, Portugal, 2012 (Primeira Obra e Estreia Mundial)

Curtas-metragens

Aux Bains de la Reine (The Queen’s Baths), Sérgio da Costa e Maya Kosa, Suíça, 2012
Bela Vista, Filipa Reis e João Miller Guerra, Portugal, 2012 (Estreia Mundial)
Encontro com São João da Cruz (Encounter with St. John of the Cross), Daniel Ribeiro Duarte, Portugal, 2011 (Estreia Mundial)
Histórias do Fundo do Quintal (Backyard Stories), Tiago Afonso, Portugal, 2012 (Estreia Mundial)
O Homem do Trator (The Man of the Tractor), Gonçalo Branco, Portugal, 2012 (Estreia Mundial)
A Nossa Casa (Our Home), João Pedro Baptista Rodrigues, Portugal, 2011
A Raia (The Border), Iván Castiñeiras Gallego, Portugal, Espanha, 2012 (Estreia Mundial)
Um Rio Chamado Ave (A River Called Bird), Luís Alves de Matos, Portugal, 2012


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