Drama em tom menor
Renate Reinsve e Anders Danielsen Lie: parece Bergman, mas não é...

CANNES 2021  

Drama em tom menor

Com "Julie (en 12 Chapitres)", chega ao Festival de Cannes o tema das gerações em conflito. Tema sugestivo, sem dúvida, desta vez tratado através de soluções dramáticas pouco interessantes...

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Drama em tom menor
Verdens verste menneske (Julie en 12 Chapitres) Julie está prestes a fazer trinta anos e a sua vida é um caos existencial. Vários dos seus talentos foram desperdiçados e o seu namorado, Aksel, mais velho do que ela e romancista gráfico de sucesso, pressiona para que casem. Uma noite, Julie invade uma festa e conhece o jovem e atraente Eivind. Em pouco tempo, termina com Aksel e lança-se numa nova relação, na esperança de uma nova perspectiva ...

Se quisermos ceder à tentação do cinismo, ma non troppo, diremos que em qualquer festival fica sempre bem um filme que nos venha dizer que as relações humanas estão limitadas pelas insanáveis clivagens entre gerações... Sobretudo se os protagonistas de tal drama se comportarem como se as suas privadíssimas complicações envolvessem os destinos de muitas galáxias...

Assim aconteceu em Cannes, em 2016, com "Toni Erdmann", de Maren Ade. Assim volta a acontecer este ano com "The Worst Person in the World", ou "Julie (en 12 Chapitres)". No seu centro está Julie (Renate Reinsve), à beira dos 30 anos, feliz e angustiada, infinitamente hesitante, porque encontrou Aksel (Anders Danielsen Lie), 45 anos, guiado por conhecimentos e valores que a desafiam...

O realizador é o dinamarquês Joachim Trier, de quem conhecemos, por exemplo, "Oslo, 1 de agosto" (2011) e "Thelma" (2017). Há no seu trabalho uma evidente segurança técnica, aqui e ali pontuada por algumas invenções formais mais ou menos sugestivas. Ainda assim, a fragmentação do filme (realmente dividido em 12 capítulos) mais parece um estratagema para disfarçar a ausência de um projecto realmente coerente.

Na melhor das hipóteses, alguns momentos sugerem uma possível filiação dramática no intimismo de Ingmar Bergman, eventualmente filtrado pelas variações de Woody Allen. São escolhas que só lhe ficam bem... ainda que a comparação acabe por reforçar a menoridade dos resultados.

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publicado 17:14 - 09 julho '21

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