Drama iraniano é favorito em Berlim. Miranda July e Béla Tarr apresentaram novos filmes
O cineasta Asghar Farhadi, no centro, com barba, no festival de Berlim, rodeado por elementos do filme "Nader and Simin: a Separation" (Foto: Reuters)

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Drama iraniano é favorito em Berlim. Miranda July e Béla Tarr apresentaram novos filmes

O sexto dia da Berlinale ficou marcado por três exibições de filmes em competição. O mais aplaudido foi "Nader and Simin, a Separation", sério candidato ao Urso de Ouro.

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"Nader and Simin, A Separation" nasceu das mãos do iraniano Asghar Farhadi, realizador que já não é novo nestas andanças. Em 2009 recebeu o Urso de Prata para o Melhor Realizador, com a direcção de “About Elly”. Depois da exibição oficial de ontem, que terminou com uma longa ovação, o drama de Farhadi é indicado como um dos favoritos para as distinções.

A história é a de Simin, uma iraniana que quer deixar o país com a sua família, para dar uma vida melhor à sua filha de 11 anos. O marido, Nader, não a pode seguir, porque tem que se manter no país a cuidar do pai que sofre de Alzheimer. Sem julgamentos, o filme vai crescendo à volta da tentativa de divórcio dos dois, que acaba por ser recusado em tribunal.

Ainda assim, Simin decide sair de casa, deixando o marido entregue aos deveres familiares. Mas Nader necessita de ajuda para cuidar do pai enquanto trabalha. Contrata uma empregada, grávida, de classe baixa, tradicional e muito religiosa. Depois de vários problemas com esta contratação, Nader acaba em tribunal em conflito com a empregada e sua família. Um drama familiar e social, que sublinha o contraste entre as formas de vida tradicionais e modernas no Irão.

"É uma luta um pouco oculta entre o velho e o novo na nossa sociedade. Isso vai custar-nos caro", explicou o realizador.
Sendo conterrâneo de Jafar Panahi, ausente do festival e sentenciado pelas autoridades iranianas a cumprir uma pena de seis anos de prisão, Farhadi não deixou de mencionar o seu desapontamento na conferência de imprensa. "Nenhum cineasta do mundo pode ficar indiferente ao que se passou. E eu estou ainda mais triste porque conheço Panahi pessoalmente”.

Miranda July escreve, dirige e interpreta "The Future"
Depois do divórcio, vem uma história de amor, solidão e criatividade na era da internet. "The Future", da actriz, argumentista e realizadora Miranda July, estreou em Sundance e teve a sua exibição oficial ontem na Berlinale.
Sophie e Jason (Miranda Julye Hamish Linklater, na foto) formam um casal que já passou dos 30 e que vive em Los Angeles. Ela é uma professora de dança para crianças e ele é um ecologista que vende arbustos de porta em porta. E passam horas na internet.

A história é narrada do ponto de vista de um gato que o casal quer adoptar, e que os leva a ter uma nova perspectiva sobre a vida. O casal larga os seus empregos insatisfatórios e decide seguir os seus sonhos. Mas Sophie começa a entrar numa pré-crise de meia-idade, e dá por si envolvida num caso amoroso com um vizinho de 50 anos.

"O mais difícil é falar de amor de uma maneira nova. Queria encontrar outro meio de mostrar o amor e a perda desse sentimento, e também o desejo de estar em contacto com a natureza e a inquietação que às vezes a natureza nos provoca", explicou Miranda July.

Béla Tarr e o cavalo de NietzscheA terceira estreia de ontem foi "The Turin Horse", uma associação entre a Hungria, França, Alemanha, Suíça e Estados Unidos que também está na competição pelo Urso de Ouro.

Realizado pelo húngaro Béla Tarr, remete-nos para o episódio vivido por Nietzsche, no qual ele protege um cavalo em Turin, Itália, que está a ser chicoteado pelo dono.

Esta longa-metragem não explora a vida de Nietzsche, mas sim o que aconteceu ao cavalo salvo pelo alemão. O dono é um agricultor que vive com a filha e que utiliza o cavalo para trabalho e transporte. Mas o animal está fraco e velho.

"The Turin Horse" é uma história trágica que gira à volta da morte do cavalo. Um exercício a preto e branco que prima pelo silêncio, e pode marcar o final da carreira do realizador húngaro. Na conferência de imprensa onde apresentou o film em competição, Béla Tarr, deu sinais de que este poderá ser o seu último filme. "Com este filme eu completaria um ciclo", disse. "Claro que nos podemos repetir, mas talvez não seja nada de bom repetir sem energia e vitalidade para encontrar coisas novas nessa repetição".

Uma comédia francesa delicia Berlim

Mas nem tudo é sério na capital alemã. Fora da competição a comédia francesa “Les Femmes du 6ème Étage” do realizador Phillipe Le Guay tem feito as delícias do público.

Paris, anos 60, uma época de forte imigração espanhola. Este filme conta a história de seis empregadas espanholas que vivem no sexto andar de um prédio burguês. Mesmo com a falta de água corrente, chuveiro ou uma casa de banho em condições, o mundo delas é simples e divertido.

A história desenvolve-se quando Jean-Louis, um empresário residente no quinto andar, apaixona-se por uma das empregadas, acabando por ir viver com ela depois de ser expulso de casa pela sua mulher. Uma comédia leve que conta com a participação de Fabrice Luchini, Sandrine Kiberlain e Carmen Maura, conhecida pela participação em filmes de Almodovar.

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