E depois de Seth MacFarlane?...
Joseph Gordon-Levitt, Seth MacFarlane e Daniel Radcliffe: homenageando a "música no cinema"

OSCARS 2012  

E depois de Seth MacFarlane?...

A condução da cerimónia dos Oscars por Seth MacFarlane suscitou algumas reacções de protesto. Mas foi também uma promessa de mudança... Será que a Academia de Hollywood vai voltar a chamá-lo para as mesmas funções? Apesar de tudo, uma coisa é certa: as audiências subiram.

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Como classificar a violência figurada num filme como "Django Libertado"? Será qualquer coisa como uma "ida ao cinema de Chris Brown e Rihanna"?...

E que dizer da proliferação da palavra "N" (negro) nesse mesmo filme? A sua utilização foi inspirada pelas mensagens do "voicemail de Mel Gibson"?...

Poder-se-á discutir a maior ou menor felicidade destas piadas. Mas há quem considere que, independentemente da sua subtileza, a respectiva inserção na apresentação dos Oscars de Hollywood está fora de questão... Aliás, não está, estaria: isto porque Seth MacFarlane as usou na sua performance como condutor da cerimónia nº 85 dos prémios mais célebres do mundo do cinema.

As coisas complicaram-se um pouco mais através do segmento da cerimónia em que Mark Whalberg apareceu a contracenar com o urso Ted, refazendo a parelha do filme homónimo dirigido por MacFarlane (com o próprio MacFarlane a dar voz a Ted). A Liga Anti-Difamação protestou, considerando que o número reforçava vários estereótipos anti-semitas, a começar pela noção de que Hollywood é um universo "controlado" por pessoas de ascendência judaica. Disse Ted: "Nasci com o nome de Theodore Shapiro, quero fazer uma doação a Israel e continuar a trabalhar em Hollywood."

Quer isto dizer que MacFarlane corre o risco de ter tido uma estreia sem capítulos seguintes? Podemos, talvez, supor que esta agitação imediata, seja qual for o seu saldo, se atenuará para dar lugar a outra interrogação: será que, com MacFarlane, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood encontrou, de facto, uma alternativa para combater a queda de audiências que prevaleceu nos últimos anos?

Vale a pena responder com alguma prudência. Primeiro, é um facto que os índices de audiência melhoraram de forma significativa: mais 19% em termos nacionais. Segundo, fica por esclarecer se se encontrou um novo modelo de cerimónia.

MacFarlane disse, logo a abrir, que a inovação principal seria o conceito temático. A saber: a exploração de uma directriz global, desta vez a homenagem à "música no cinema". Aliás, num mostra de evidente versatilidade, isso levou-o a participar em vários números (por exemplo, ao lado de Joseph Gordon-Levitt e Daniel Radcliffe). De forma algo bizarra, o momento mais promovido da noite, a homenagem aos filmes de James Bond, saldou-se também pela solução mais preguiçosa: duas canções em palco (por Shirley Bassey e Adele) e uma banalíssima montagem de meio século de imagens de 007.

Fica, por isso, uma dúvida que, apesar de todas as polémicas que as palavras ditas por Seth MacFarlane possam (ainda) envolver, ultrapassa os méritos ou deméritos do novo "host". A saber: como é que Hollywood vai equilibrar o empenho em renovar os protagonistas das suas linhas da frente (o Oscar para Jennifer Lawrence, com apenas 22 anos de idade, é também um sintoma disso mesmo) com a gestão de uma memória que, de forma tão interessante quanto insólita, regressou em força?

Barbra Streisand, por exemplo, homeageando Marvin Hamlisch, notável compositor e um dos nomes falecidos em 2012. Ao cantar uma das suas canções mais célebres, a oscarizada "The Way We Were" (com letra da dupla Alan Bergman/Marilyn Bergman), que espectadores puderam partilhar as referências que ela convocou? Quem se lembra do filme homónimo (entre nós: "O Nosso Amor de Ontem"), com Robert Redford e a própria Streisand sob a direcção de Sydney Pollack? Será que aqueles que se lembram viram "Ted"? E os que viram "Ted" sabem quem foi Pollack?...

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publicado 23:19 - 25 fevereiro '13

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