É o Amor, o lema das mulheres das Caxinas

Cinema Português  

"É o Amor", o lema das mulheres das Caxinas

Fazem do mar o sustento de uma vida passada em terra a governar a família. São as mulheres de Caxinas, filmadas pelo realizador João Canijo com a cumplicidade e entrega da atriz Anabela Moreira.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 É o Amor, o lema das mulheres das Caxinas
É o Amor Em Caxinas, freguesia de pescadores em Vila do Conde, cidade do Norte de Portugal, a relação entre a mulher e o pescador funda-se numa confiança vital, numa dependência recíproca e total para a sobrevivência da família. Porque a mulher confia e depende do pescador para ganhar a vida, e o pescador confia e depende da mulher para governar a vida. Neste filme acompanhamos um grupo de mulheres das ...

O filme “É o Amor” foi feito a partir do material que sobrou da curta-metragem “Obrigação”, encomendada a João Canijo pelo Festival de Vila Do Conde, filmada nas Caxinas, terra de pescadores e de mulheres que tomam conta do negócio e do coração deles.

O realizador admite que um dia nas Caxinas bastou para descobrir o sentido do filme, que seria sobre a confiança que aquelas mulheres depositam nos maridos e que eles devolvem deixando-as em terra a governar-lhes a vida.

Junto destas mulheres, João Canijo colocou a atriz Ana Moreira, num trabalho de pesquisa ao longo de dois meses, à procura de uma personagem que fizesse parte do mundo das caxineiras. Depois João Canijo filmou a rotina do grupo sob orientação da actriz e tentando não interferir.

Para Anabela Moreira foi a confirmação de que já só faz sentido trabalhar desta forma.

Depois de filmes como "Noite Escura", "Mal Nascida" ou "Sangue do Meu Sangue", todos assinados por João Canijo, e que passaram por processos de investigação semelhante, a atriz já se converteu a esta experiência de mergulhar na realidade para encontrar personagens.

João Canijo reforça a ideia, dizendo que cada vez mais considera que a direcção de actores não existe e que o cinema que faz pretende confundir o ator com a personagem.

O realizador rejeita também a ideia da necessidade de catalogar o filme, porque pertence a um território feito da realidade das mulheres de Caxinas, com uma actriz infiltrada que vem à procura de material para a ficção. O filme coloca Anabela Moreira entre aquelas mulheres, na rotina em torno do peixe, das idas para o mar e do amor a que se entregam.

É daí que vem o título "É o Amor”" sentimento vincado em cada uma das caxineiras e nos versos de uma canção romântica que ouvem repetidamente nas viagens de carrinha entre casa e o trabalho.


Anabela Moreira transforma-se numa destas mulheres, mas nunca deixa de ser a actriz que questiona como elas conseguem a confiança de saberem o que querem e como querem a vida. Uma atriz em processo de investigação, à descoberta da personagem que ainda não tem filme.

João Canijo quer voltar às Caxinas para filmar uma ficção. Mas para já, sabe apenas que o próximo filme poderá ser sobre um grupo de mulheres em peregrinação a Fátima, uma ideia amadurecida com as caxineiras.

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