ENCONTRO (1985)
Lambert Wilson e Juliette Binoche: escrito por Assayas, filmado por Téchiné

DVD Memória  

ENCONTRO (1985)

A trajectória de Juliette Binoche tem-se cruzado várias vezes com a do realizador Olivier Assayas: a primeira vez ocorreu em "Rendez-Vous", com Assayas a assinar o argumento — a realização é de André Téchiné.

Juliette Binoche é uma presença regular no cinema de Olivier Assayas — assim voltou a acontecer em “Vidas Duplas” (2018), além do mais explorando a ambígua cumplicidade entre comédia e drama, tão importante na trajectória artística de Binoche. Curiosamente, o seu envolvimento profissional começou antes mesmo de Assayas dirigir a sua primeira longa-metragem, intitulada “Desordem” e lançada em 1986. Um ano antes, Assayas assinou o argumento de “Rendez-Vous”, uma realização de André Téchiné em que Binoche contracena com Lambert Wilson, Wadeck Stanczak e Jean-Louis Trintignant.


“Rendez-Vous” recebeu o título português “Encontro”, mas talvez fosse mais lógico chamar-lhe Desencontros. Estamos perante uma teia de amores e desejos que está para lá de qualquer lógica racional. Juliette Binoche interpreta uma jovem actriz que tenta a sua sorte em Paris, acabando por se envolver numa teia de paixões que não controla — num certo sentido, a sua relação com as personagens masculinas tem tanto de revelação como de perdição. Ouça-se, a esse propósito, a banda sonora original: a música de “Rendez-Vous” tem assinatura de Philippe Sarde, um dos grandes compositores veteranos da produção francesa que, desde o começo dos anos 70, colaborou com cineastas como Claude Sautet, Marco Ferreri ou Roman Polanski. Neste caso, a sua suite possui um fôlego sinfónico e, ao mesmo tempo, o secretismo de uma balada intimista.


Olivier Assayas voltaria a trabalhar para André Téchiné, assinando o argumento de “O Local do Crime”, de 1986, um belíssimo melodrama com Catherine Deneuve e, outra vez, Wadeck Stanczak. O primeiro encontro de Juliette Binoche com Assayas na condição de realizador aconteceria em 2008, em “Tempos de Verão”, um subtil retrato familiar em que, como frequentemente acontece no seu cinema, as canções servem para sinalizar as diferenças entre gerações — neste caso, emergia o rock primitivo das Plasticines, uma banda 100% feminina.

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publicado 22:03 - 27 março '20

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