Ensaio sobre a Cegueira: confronto entre livro e filme
Saramago e Meirelles, com Don McKellar, o argumentista, num encontro único na Fnac Chiado - DR

Mais CinemaMais CinemaMais Cinema  

"Ensaio sobre a Cegueira": confronto entre livro e filme

Um filme que não tem ponto de vista, numa história onde todos são cegos, ou como diz José Saramago, não querem ver.

José Saramago admite que autorizou Fernando Meirelles a adaptar ao cinema "O Ensaio sobre a Cegueira", porque gostou da cara dele. Com a mesma simplicidade, reconheceu que não queria falar demasiado sobre o que tinha escrito, para não condicionar o realizador.

Fernando Meirelles, autor de "Cidade de Deus" e "O Fiel Jardineiro", confessa que tinha muitas questões para colocar ao escritor português, mas percebeu que falar demais podia comprometer o filme.

O escritor português gostou do que viu, sentiu a força das imagens, e até escolheu uma cena, em que um grupo de mulheres passa por uma janela em direcção a um destino incerto. O caos toma conta dos que estão de quarentena, excluídos por serem os primeiros a cegar. A violência domina e impõe condições pouco humanas. É justificada, diz o escritor, é uma violência desfocada, assume o realizador que tentou usar artimanhas para não mostrar tudo.

O ponto de vista é difícil, numa história em que ninguém vê, quando o cinema é feito de olhares. Tarefa delicada para Fernando Meirelles, desafio de representação para os actores.

No final José Saramago e Fernando Meirelles assumiram, em Lisboa que o ideal não existe. Existe, sim, o filme eficaz. O melhor compromisso entre as duas obras, escrita e filmada, é serem resistentes e separadas, conforme disse Saramago.

por

Recomendamos: Veja mais Artigos de Mais CinemaMais CinemaMais Cinema