Entre melodrama e didactismo
Damien Bonnard e Leïla Bekhti no espaçoi familiar do melodrama

CANNES 20121  

Entre melodrama e didactismo

Como viver com a bipolaridade? O filme de Joachim Lafosse lida com essa interrogação a partir da experiência de vida de um pintor, na companhia da mulher e do filho — foi o derradeiro título apresentado na competição de Cannes.

E a competição do 74º Festival de Cannes encerrou com um mais um filme empenhado em conciliar a ambiência de melodrama familiar com a preocupação didáctica de suscitar alguma reflexão sobre um tema perturbante. A saber: a existência de uma personagem bipolar, pai de família e pintor obsessivo, cuja instabilidade corre o risco de desagregar todo o seu universo e daqueles que com ele convivem...

"Les Intranquilles" é uma realização do belga Joachim Lafosse que possui os limites drásticos de uma narrativa que, em boa verdade, demora muito tempo a definir os seus propósitos. Uma coisa é reconhecer o misto de perturbação e desamparo que define a personagem central de Damien (Damien Bonnard); outra é o facto de estarmos perante uma colecção de apontamentos que hesitam entre o sublinhado dramático e o didactismo "médico".


Bonnard empresta uma evidente intensidade à sua personagem, tal como Leïla Bekhti, no papel da mulher de Damien, e também o pequeno e talentoso Gabriel Merz Chammah, como Amine, o filho. O saldo é um calor humano que, em qualquer caso, não resolve os problemas de construção e dramaturgia do projecto de Lafosse. Resta saber se os propósitos informativos de "Les Intranquilles" podem consumar-se através das suas limitações cinematográficas.

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publicado 18:20 - 17 julho '21

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