Entrega dos Óscares 2020: sem anfitrião e com muitas críticas

 

Entrega dos Óscares 2020: sem anfitrião e com muitas críticas

Um estudo recente da UCLA dá conta de que ainda há muito para caminhar em termos de equilíbrio etnico e de género, na indústria cinematográfica.

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Vêm aí mais uns Óscares: "1917" é grande favorito No próximo domingo decorre a 92ª cerimónia de entrega dos prémios de cinema da academia norte-americana.

Organizada em pleno coração de Hollywood, no Dolby Theatre, e transmitida ao vivo por televisões de todo o mundo, a cerimónia de entrega dos Óscares acontecerá novamente sem um apresentador titular, Em seu lugar várias estrelas irão suceder ao microfone: os veteranos Tom Hanks, Jane Fonda e Diane Keaton, ou os mais jovens Brie Larson, Olivia Colman e Rami Malek.

Elton John, favorito ao Oscar de Melhor Canção deste ano, cantará no palco, assim como a jovem sensação do Grammy, e intérprete escolhida do tema do próximo filme com 007, Billie Eilish.

A festa não escapará aos críticos habituais sobre a falta de diversidade do Oscar: além da britânica Cynthia Erivo ("Harriet"), todos os atores e atrizes que disputam este ano são brancos e nenhuma mulher cineasta foi nomeada.

"Não lhes chamaria #OscarSoWhite (Oscar tão branco), mas sim #OscarsAsUsual (Oscar como de costume), brincou Peter Hammond numa referência à hashtag usada nas redes sociais para denunciar a sub-representação das minorias. "Um filme britânico que aparece e ganha, mais quatro atores brancos... parecem os Óscares de há trinta anos atrás".

A representação de mulheres e minorias étnicas, ou culturais, no ecrãs aumentou em 2019 em Hollywood, aproximando-se lentamente da composição da população americana, mas ainda há muito trabalho a ser feito em todas as profissões que trabalham atrás das câmeras, de acordo com um relatório divulgado quinta-feira.

Pelo sétimo ano consecutivo, a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) estudou os 200 filmes com maior receita de bilheteira.

"Em 2019, mulheres e minorias aproximam-se da representação proporcional quando se trata dos papéis principais e de todos os atores", resume Darnell Hunt, reitora do departamento de ciências sociais da UCLA e coautora do estudo, publicado três dias antes dos Óscares, novamente criticados este ano pela sua falta de diversidade.

O estudo mostra que 44,1% dos principais papéis em 2019 foram para mulheres, que representam cerca de metade da população.

Quanto às pessoas consideradas "não brancas" nos Estados Unidos (negros, asiáticos, latino-americanos, árabes, mestiços de todos os tipos etc.), obtiveram 27,6% dos papéis principais. Segundo o estudo da UCLA, este aglomerado étnico constitui um pouco mais de 40% da população dos Estados Unidos.

"Mas nos bastidores, a história é totalmente diferente", disse Darnell Hunt. Isso coloca uma questão: estamos a testemunhar uma mudança sistemática, ou é Hollywood que procura atrair públicos de diversas origens com estes elencos, sem mudar fundamentalmente a maneira como se trabalha atrás das cameras?", acrescenta a investigadora.

O número mais significativo é que 93% dos cargos de responsabilidade nos estúdios de Hollywood são ocupados por brancos e 80% por homens. Mesmo que as coisas melhorem ao nível dos realizadores, apenas 15,1% eram mulheres em 2019, em comparação com 7,1% no ano anterior.

Os números também melhoraram ligeiramente para os argumentistas, com 17,4% de mulheres e 13,9% pertencentes a minorias étnicas, ou culturais, em 2019.

"Conseguir empregos para argumentistas, realizadores, ou atores é uma etapa crítica para mulheres e pessoas de cor, porque o sucesso nesta indústria é amplamente impulsionado por essas posições", disse ainda Hunt.

As minorias pesam bastante em termos de poder de compra e, por isso, nas receitas dos estúdios, observam os autores do estudo: em 2019, compraram perto de metade dos bilhetes de cinema para nove dos dez filmes com maior audiência.

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