Estandarte nazi desagrada aos habitantes de Nice

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Estandarte nazi desagrada aos habitantes de Nice

A presença de simbolos nazis durante a rodagem de um filme sobre a Segunda Guerra Mundial não agradou aos habitantes de Nice.

Um enorme estandarte com a cruz suástica pendente num edifício público provocou agitação entre os habitantes da cidade francesa de Nice, na segunda-feira.

A bandeira com o simbolo nazi esteve brevemente dependurada do topo do Palácio da Prefeitura durante ensaios que antecederam as filmagens de "Un Sac de billes", longa-metragem do canadiano Christian Duguay adaptada do livro homónimo de banda desenhada da autoria de Joseph Joffo.

Publiicado em 1973, "Un sac de billes" (em português "Um Saco de Berlindes") segue dois irmãos judeus em fuga pela França ocupada.

O porta-voz da Prefeitura da Nice afirmou, a propósito, que o livro: "faz parte integrante do nosso dever de recordar" e que acolher a rodagem de tal filme representa "uma honra para a cidade e para a província".

A prefeitura da Nice, num comunicado, refere que tudo fez para avisar a população, tendo inclusivé contactado a comunidade israelita, mas os esforços não foram suficientes para impedir a surpresa e indignação de muitos que viram o simbolo do invasor durante a Segunda Guerra Mundial.

Andrew Gentry, um franco-americano de visita à cidade disse à BBC: "As pessoas começaram a gritar, estavam bastante agitadas. Não havia nada em redor a explicar o que estava a acontecer. A cena foi surreal."

O palácio da edilidade fez as vezes do Hotel Excelsior, local que serviu de quartel-general das SS que, em 1943, invadiram a Riviera francesa e procederam à captura e envio de judeus para campos de extermínio.

Nice, na Riviera, fora, até essa altura, a última zona de refúgio para os judeus em território francês.

O responsável pela perseguição foi Alois Brunner, um oficial austríaco das SS próximo de Adolf Eichmann, o responsável pela logística e organização dos guetos e campos de morte nazis. Brunner, acusado da deportação de mais de 128 mil judeus em vários países da Europa, fugiu para a Síria nos anos 50 e nunca respondeu perante a justiça. O Instituto Simon Weisenthal, que se dedicou durante décadas a localizar criminosos de guerra, acredita que terá morrido em 2010.

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publicado 16:44 - 01 outubro '15

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