Crítica: "Rango"  

Este país é para camaleões

"Rango", um desenho animado à parte, é uma das primeiras boas surpresas do ano e que faz a diferença no panorama da animação digital.

Este país é para camaleões
O camaleão Rango é uma personagem insólita num western alucinado
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 Este país é para camaleões
Rango (VO) Rango é um camaleão da cidade grande que vai parar ao velho oeste. A questão toda é que ele estava acostumado à boa vida "camuflada" de animal de estimação e, agora, a história real é muito diferente... vai ter que enfrentar inimigos para se manter vivo.
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Animação no Oeste "Rango" é uma divertida animação sobre o western onde os actores ajudam imenso.
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O western é pouco filmado nos dias que correm, mas pontualmente bem tratado por quem o retoma. Na mesma altura em que os irmãos Coen revitalizaram o género com "Indomável", eis que surge uma animação - a primeira proposta do género a estrear em 2011 - que rende uma homenagem original a este universo.

"Rango" é uma paródia que suporta a sua visão do westen em personagens marcantes, insólitas, como o camaleão gabarolas que se arma em valentão e é empurrado para o cargo de Xerife de uma vila perdida no deserto Mojave.

Johnny Depp, actor camaleónico, e Manuel Marques, com a sua atitude descomprometida e gozona, são duas excelentes escolhas para dar a voz a este bicho que é forçado a assumir uma identidade em vez de mascarar a sua personalidade.

"Rango" é um desenho animado que não se parece com nada: os clichés do western são acentuados numa série de situações alucinadas e em diálogos carregados de humor negro. Após três filmes da série "Piratas das Caraíbas", Gore VerbinskI e Johnny Depp ressurgem juntos, pela quarta vez, num filme diferente mas que revela a mesma atitude descontraída em relação a um determinado género.

VerbinskI está aqui mais perto do sentido de humor que revelou em "A Mexicana", com Julia Roberts, e através deste desenho animado digital ele prova que é dono de um estilo. Ele criou sequências muito ricas, utilizando diversas perspectivas que valorizam as cenas, e trabalhou a montagem de uma forma mais cuidada do que é habitual nestes filmes. "Rango" tem a originalidade de ter sido realizado por um cineasta habituado a trabalhar com imagens reais e essa opção diferencia o filme.

O argumento, a realização e estilo visual também fazem com que "Rango" seja um filme que se distingue no espaço saturado de animações com imagens geradas por computador.

"Rango" é a primeira grande surpresa de 2011, algo que não diziamos de um desenho animado da Dreamworks há muito tempo.



Crítica de Tiago Alves actualizado às 17:18 - 04 março '11
publicado 01:06 - 03 março '11

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