Estoril, dia 3: o super juíz
O juíz Baltazar Garzon, estrela no festival do Estoril
(Foto: Sergio Perez/Reuters)

Estoril Film Festival  

Estoril, dia 3: o super juíz

Baltazar Garzon, o juíz que condenou Pinochet e mandou investigar crimes ocorridos durante o regime franquista, é alvo de vários processos em Espanha e de muitas atenções no Estoril.

O juíz espanhol foi recebido este domingo com atenções acrescidas por parte da imprensa portuguesa, em relação a um homem da justiça que tem sido notícia. Uma das razões, é o processo contra a organização Separatista Basca, e Baltazar Gazon garante que apesar da sua vida ter mudado não está arrependido de ter enfrentado a ETA.

Na conversa deste domingo nunca referiu a expressão cessar-fogo, e quanto ao papel de Portugal, acredita que sempre foi um local estratégico para os etarras, um santuário onde se preparam ataques a Espanha e outros países.

O juiz que está suspenso de funções, aguarda julgamento, e deixou o desejo de que acabe em breve. Disse que sente apoio da população e da parte de muitos magistrados que esperam em silêncio pelo fim do processo. Quanto às acusações de que é alvo, quer defender-se.

Fala numa extrema direita que não gosta de algumas das suas decisões, e desde o caso Pinochet que sente na pele essa "perseguição". Baltasar Garzon recusa o título de juíz político, ou de ser um homem com uma missão, apenas acredita na defesa dos direitos humanos fundamentais.

Quanto ao futuro, não revela planos, até porque a informação só iria beneficiar os seus inimigos. Se a Justiça ditar que não pode mais trabalhar na justiça, Baltazar Garzon garante que está preparado para encarar outros projectos. Em jeito de brincadeira conclui dizendo estar disposto a tudo, menos ser arquitecto.

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