FAHRENHEIT 451 (1966)
Um filme sobre um mundo em que os bombeiros... queimam os livros

DVD Memória  

FAHRENHEIT 451 (1966)

A sedução da escrita, a paixão dos livros — poucos filmes condensam esses dois temas de modo tão exemplar como "Fahrenheit 451". Baseado no romance homónimo de Ray Bradbury, foi o primeiro trabalho de François Truffaut em língua inglesa.

O filme “O Professor e o Louco”, com Mel Gibson e Sean Penn, evoca o desenvolvimento do Dicionário de Inglês de Oxford, em meados do século XIX. Está longe de ser uma obra-prima, mas não deixa de estar tocado por valores a que, mais do que nunca, neste idade dos mundos virtuais, não somos, não podemos ser, indiferentes. A saber: a sedução da escrita, a paixão dos livros. Um dos filmes mais radicais sobre essa sedução e essa paixão, "Fahrenheit 451", foi feito em 1966.


A música é de Bernard Herrmann, um dos compositores de eleição de Alfred Hitchcock. Neste caso, quem o convidou foi um dos discípulos mais célebres do mestre do “suspense”. Ou seja: o francês François Truffaut. Em 1966, precisamente, Truffaut foi até aos estúdios de Pinewood, nos arredores de Londres, para rodar aquele que seria o seu primeiro filme em língua inglesa.


Ela é Julie Christie, professora estagiária num futuro mais ou menos distante em que os livros passaram a ser proibidos. Ele é Oskar Werner, um bombeiro que, como todos os bombeiros, é especializado em... queimar livros. Assim mesmo: “Fahrenheit 451” baseia-se no romance homónimo de Ray Bradbury, retratando um mundo em que ler e possuir livros são coisas proibidas — e porque as casas já não ardem, os bombeiros queimam livros à temperatura de 451 graus Fahrenheit.

Na altura, Truffaut já assinara alguns títulos marcantes da Nova Vaga francesa, incluindo “Os 400 Golpes” (1959) e “Jules et Jim” (1962). Rezam as crónicas que “Fahrenheit 451” teve uma rodagem marcada por vários conflitos. O certo é que ficou como um marco na evolução da ficção científica da década de 60, numa variação tocada por elementos do melodrama clássico.

Quanto a Bernard Herrmann, a sua relação de trabalho com Truffaut ainda daria origem a mais uma banda sonora, um ano mais tarde, para “A Noiva Estava de Luto”. E porque nestas coisas as memórias se cruzam e, de alguma maneira, se completam, vale a pena lembrar que Herrmann veio a falecer em 1975, deixando como derradeiro trabalho a música de um filme que só teve estreia no ano seguinte — chama-se “Taxi Driver”.

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publicado 18:06 - 09 junho '19

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