Fanny Ardant entre o realismo e a lenda

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Fanny Ardant entre o realismo e a lenda

Actriz de grandes cineastas franceses (François Truffaut, Alain Resnais, etc.), Fanny Ardant surge agora a assinar "Cinzas e Sangue", o seu primeiro filme como realizadora — a produção é de Paulo Branco

Será que o trabalho de representação nos filmes é uma boa "escola" para as tarefas de realização? Convenhamos que a pergunta envolve alguma arbitrariedade, quanto mais não seja porque a história do cinema está cheia de "bons" e "maus" exemplos de actores-cineastas.

O caso de Fanny Ardant — a estrear-se com "Cinzas e Sangue" (que vimos em estreia mundial na selecção oficial de Cannes/2009) — é tanto mais interessante quanto ela se "esconde" atrás da câmara. De facto, este não é um filme para "ilustrar" as suas qualidades de representação, mas sim uma história que vale por si (adaptada de Ismail Kadare), pelas emoções que sugere e expõe.

A personagem central (interpretada pela magnífica Ronit Elkabetz) é uma mulher de Marselha que regressa à Roménia com um programa de ansiedade e amargura: as convulsões da sua família exigem-lhe uma espécie de reparação moral que, de uma maneira ou de outra, será preciso enfrentar.

Fanny Ardant pressente na sua história uma ligação subtil, por vezes perversa, entre o realismo dos factos e o apelo lendário que neles se transporta. Daí que "Cinzas e Sangue" seja um filme que vai oscilando entre a transparência dos gestos e os enigmas dos desejos — uma estreia na realização em que se adivinha também o desejo de outros filmes.


CINZAS E SANGUE

De
Fanny Ardant
com
Ronit Elkabetz, Abraham Belaga, Marc Ruchmann com Drama 105m
M/12
FRA, POR, ROM
2009


Ouça a crítica de João Lopes



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