Festival de San Sebastián justifica prémio a Johnny Depp

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Festival de San Sebastián justifica prémio a Johnny Depp

O ator norte-americano está envolvido num processo de violência doméstica, mas a direção do festival lembra o princípio da presunção de inocência.

O diretor do festival de cinema de San Sebastián salientou hoje que defende os princípios da presunção da inocência e da reintegração, em resposta às críticas recebidas desde que anunciou a entrega de um prémio a Johnny Depp.

Num comunicado hoje divulgado, o diretor do festival, José Luis Rebordinos, reafirmou o compromisso do evento no "combate à desigualdade, ao abuso de poder e à violência contra as mulheres", lembrando a Carta pela Paridade e a Inclusão de Mulheres no Cinema.

No entanto, "os compromissos éticos do festival não podem dizer apenas respeito aos problemas das mulheres numa sociedade patriarcal, apesar da terrível natureza da situação, em que centenas de mulheres são mortas todos os anos em resultado dos crimes de homens", escreveu Rebordinos.

"Quando o linchamento nas redes sociais é frequente, iremos sempre defender dois princípios básicos que formam parte da nossa cultura e do nosso corpo de leis: os da presunção de inocência e de reintegração. De acordo com as informações provadas que temos até ao momento, Johnny Depp não foi detido, acusado nem condenado por nenhuma forma de agressão ou violência contra qualquer mulher", acrescentou o diretor do festival, que repetiu esta última frase no comunicado.

Na segunda-feira, o festival anunciou que o ator norte-americano Johnny Depp vai receber um prémio de carreira na edição que se realiza entre 17 e 25 setembro.

Classificado pelo festival como "um dos mais talentosos e versáteis atores do cinema contemporâneo", Depp vai receber o galardão no dia 22 de setembro, naquela que será a sua terceira passagem pelo festival basco.

Um dia depois, a Associação espanhola de Mulheres Cineastas e de Meios Audiovisuais (CIMA, sigla em castelhano) condenou a decisão do festival.

"Isto diz muito do festival e da sua liderança e passa uma mensagem terrível ao público: 'Não interessa se és um abusador, desde que sejas um bom ator", afirmou a presidente da CIMA, Cristina Andreu.

Em 2018, Johnny Depp acusou um tabloide britânico de difamação por ter publicado um artigo a relatar agressões contra a ex-mulher, e perdeu em tribunal. O ator avançou também para tribunal nos Estados Unidos, devido a um artigo de opinião publicado pela ex-mulher Amber Heard.

Já este ano um tribunal londrino rejeitou a Depp a possibilidade de recurso, como noticiou a imprensa especializada, por ter dado como provadas várias agressões pelo ator à ex-mulher.

Na sequência desse caso, Depp abandonou o elenco do próximo filme da saga "Monstros Fantásticos", levando a revista especializada Variety a questionar se a carreira do ator conseguiria sobreviver.

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