Fitoussi, Mendoza, Haneke... as recentes companhias de Isabelle Huppert
Lolita Chammah e Isabelle Huppert, filha e mãe, em "Copacana"

Cinema Europeu  

Fitoussi, Mendoza, Haneke... as recentes companhias de Isabelle Huppert

Encontro com Isabelle Huppert, em Portugal, onde apresentou uma comédia dramática que é excepção no percurso glacial a que nos habituou. "Copacabana" permitiu-lhe contracenar com a filha, que também é actriz.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Fitoussi, Mendoza, Haneke... as recentes companhias de Isabelle Huppert
Copacabana Babou parece capaz de ultrapassar qualquer coisa. Empregos, maridos, responsabilidades, quem os quer? Mas quando descobre que a sua própria filha sente demasiada vergonha dela para a convidar para o seu casamento, Babou decide fazer algumas mudanças na sua vida e aceita um emprego... Para sua própria surpresa, transforma-se numa empregada modelo mas acaba por atrapalhar o seu próprio sucesso...

Começa por estes dias mais uma rodagem com Michael Haneke, o realizador que a dirigiu em "A Pianista". E pouco antes acabou um projecto de outro realizador de extremos, o filipino Brillante Mendoza. Estará Isabelle Huppert à procura de novos papéis de mulher no limite?

Nem por isso. Ela responde de forma descontraída - é trabalho, são histórias e realizadores que valem a pena, não está a pensar construir uma imagem de marca. Mas não se pense que Isabelle Huppert é despreocupada com a imagem que passa para o público.

Numa tarde de entrevistas aos jornalistas portugueses, a actriz tomou conta das grandes decisões. No caso das câmaras, decidiu a luz, os planos e os melhores ângulos. Sabe fazer e sabe ainda melhor o que quer que seja feito, e esta é uma imagem que passa para os filmes.

Aos 58 anos é uma das actrizes europeias mais respeitadas coleccionando registos, que vão da comédia, como o filme "Copacabana" que veio apresentar a Lisboa, aos desempenhos que desafiam os limites como os que fez nos últimos anos.

Em "Copacabana" assume a pele de uma mulher de espírito livre, incapaz de ficar agarrada às normas sociais ou profissionais. Babou pode ser encantadora, mas também motivo de vergonha para a filha interpretada pela actriz Lolita Chammah, que é também filha de Isabel Huppert.

O filme é realizado por Marc Fitoussi, que não é um completo desconhecido, mas alguém ainda a trilhar caminho. Isabelle Huppert tem estado disponível para se aventurar com gente que traz ideias frescas, tal como há uns anos, Hal Hartley, o emblema do cinema independente norte americano, conseguiu pôr Isabelle Huppert a fazer de freira que acreditava ser ninfomaníaca.

Mas quando lhe perguntamos se gosta do desafio de trabalhar com realizadores que ainda estão a começar, responde prontamente que as histórias e o argumento são decisivos e não há nenhuma intenção de se colocar em risco. Por outro lado, garante que não aspira a ficar nas mãos de alguém que possa ser genial, mas que não tenha uma boa história, ou um papel interessante para lhe oferecer.

Novos filmes com Michael Haneke e Brillante Mendoza: um futuro por desvendar


Isabelle Huppert numa cena do filme "The Captured" de Brillante Mendoza

Sobre os filmes do futuro, prefere deixar no segredo as histórias. Por exemplo "The Captured", em que trabalhou com Brillante Mendoza, sabemos que conta o caso de uma missionária capturada num drama baseado numa acção terrorista do grupo filipino AbuSayaf que manteve em cativeiro 12 turistas.

A actriz acrescenta pouco à sinopse, prefere falar do realizador como alguém que inventou um cinema próprio. Quem sabe se não reenontrará Brillante Mendoza em Cannes no próximo mês de Maio?

Sobre a relação com Michael Haneke sabemos que passam dias e dias a preparar guarda roupa, mas nada de ensaios. E a isto a actriz junta uma espécie de provocação, como ela própria admite - fazer filmes tem mais a ver com não estar preparada, não é como cozinhar, embora muita gente use a comparação.Agora está a filmar com o austríaco, com quem foi feliz na rodagem de "A Pianista".

Mais à frente, ainda não há data definida, apenas uma vontade de ambas, vai juntar-se a outra provocadora, a realizadora e escritora Catherine Breillat, enfant terrible do cinema francês, autora de "Romance" que gosta de mostrar o cinema no limite próximo da pornografia. Isabelle Huppert parece recusar o rótulo de actriz no limite da ousadia, mas muitas vezes as companhias que a rodeiam demonstram o contrário.

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