Frankenweenie, versão nº 1
Barret Oliver e Shelley Duvall: mãe e filho cuidam do bem estar de Sparky

Fantasia  

"Frankenweenie", versão nº 1

O novo filme de Tim Burton, "Frankenweenie", é o segundo que ele faz com esse título. O primeiro, uma curta-metragem reinventando o mito de Frankenstein, data de 1984. E tem uma história agitada.

A história do filme "Frankenweenie", de Tim Burton (estreia portuguesa: 18 de Outubro), começou há muito tempo. Podemos encontrá-la nos inconfundíveis desenhos do próprio realizador, antecipando as personagens de uma insólita versão do clássico "Frankenstein", de Mary Shelley: o cientista é um menino que tenta também "ressuscitar" um ser vivo, com a ligeira diferença de não se tratar de um humano, mas do muito peculiar Sparky, quer dizer, o seu... cão!

Aliás, mais exactamente, a história remete-nos para um outro filme, de cerca de meia hora de duração, também dirigido por Tim Burton, também chamado "Frankenweenie", mas produzido em 1984. Foi um dos primeiros trabalhos do realizador (um ano antes da sua primeira longa-metragem, "A Grande Aventura de Pee-Wee"), na altura a trabalhar como técnico de animação nos estúdios Disney.

Burton tinha já dirigido "Vincent" (1982), curta-metragem centrada num rapazinho fascinado por ambiências fantásticas, imaginando-se um duplo do actor Vincent Price (que fornece a voz "off"). Curiosamente, usou aí a técnica de animação com figurinhas filmadas imagem a imagem (stop motion), a mesma que aplica no "Frankenweenie" de 2012.

O "Frankenweenie" de 1984 era um filme com actores: no papel central, surgia Barret Oliver, na altura com 11 anos (no mesmo ano viria a protagonizar "História Interminável", de Wolfgang Petersen); os pais eram interpretados por Daniel Stern (em 1979, uma das revelações de "Os Quatro da Vida Airada", de Peter Yates) e Shelley Duvall (que, em 1980, contracenara com Jack Nicholson no "Shining", de Stanley Kubrick).

Do ponto de vista dos estúdios Disney, "Frankenweenie" foi um mau investimento (um milhão de dólares, verba na altura considerável para uma curta-metragem). Mais do que isso: o filme foi considerado demasiado negro e assustador para um público infantil... Resultado? Tim Burton foi despedido.

A curta-metragem "Frankenweenie" quase desapareceu de circulação, tendo sido lançada apenas nas salas do Reino Unido, em 1985 (como complemento do filme "Baby - O Segredo da Floresta Perdida"); surgiu no mercado do video quase uma década mais tarde, em 1994, e está actualmente disponível nas edições de DVD e Blu-Ray de "O Estranho Mundo de Jack" (1993), filme de stop motion co-realizado por Henry Selick e Burton.

O certo é que toda esta história tem, agora, um final de desconcertante e irónica felicidade: o novo "Frankenweenie" é produzido pela... Disney!

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publicado 14:00 - 17 outubro '12

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