Gatsby pop
Leonardo Di Caprio e Carey Mulligan: Jay Gatsby e Daisy Buchanan, 2013

Cannes dia 1: O GRANDE GATSBY  

Gatsby pop

Para a sua abertura oficial, Cannes 2013 apresentou um filme que representa um invulgar desafio: reinventar "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald, emprestando-lhe a dimensão de uma grandiosa celebração cinematográfica.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
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O Grande Gatsby (3D) Da mente criativa única do escritor/produtor/realizador Baz Luhrmann chega-nos a grande adaptação ao cinema do romance de Scott Fitzgerald, “O Grande Gatsby”. O cineasta cria a sua própria interpretação visual da história, trazendo à vida uma década de forma nunca antes vista, num filme com Leonardo Dicaprio, que encarna o papel que dá nome ao título. “O Grande Gatsby” segue a tradição de ...
Média Cinemax:
2.5

Não se pode dizer que o Festival de Cannes se tenha distraído em relação a um valor fundamental da sua tradição. A saber: a importância de abrir oficialmente o certame com um objecto que, para além do seu apelo popular, possa simbolizar a dimensão mais grandiosa (e, por assim dizer, mais clássica) do próprio cinema.

Na verdade, “O Grande Gatsby” é um filme que preenche esse requisito de ser uma produção grandiosa, de alguma maneira ligada a uma nobre tradição melodramática (nada estranha aos faustos do musical), acima de tudo abrindo a hipótese de uma nova relação com o clássico dos clássicos que é o romance de F. Scott Fitzgerald.

Provavelmente, o realizador Baz Luhrmann reencontrou aqui a boa adequação entre o seu desejo de espectáculo e os recursos técnicos que tem para utilizar (coisa que o seu título anterior, “Austrália”, lancado em 2008, estava longe de garantir). Acima de tudo, “O Grande Gatsby” é uma narrativa que, através de uma criteriosa e sofisticada utilização do 3D, consegue a proeza de nos relançar na escrita de Fitzgerald, apostando numa cumplicidade visceral com Gatsby/DiCaprio: ele é, afinal, o simbolo de uma época de dramática interrogação dos valores existenciais e da própria dinâmica social. Igual à nossa? Por certo diferente… mas habitada pela mesma tensão entre o ser e o parecer.

Neste primeiro confronto com o filme (que está em Cannes extra-competição), importa sublinhar que toda a sua contagiante exuberância passa por um banda sonora de elaborada concepção, tendo Jay-Z como produtor executivo. Nela se combinam inesperadas reinvenções (por exemplo, “Back to Black”, de Amy Winehouse, tema recriado por Beyoncé e Andre 3000) e alguns magníficos originais (com destaque para “Young and Beautiful”, de Lana Del Rey, cujo teledisco aqui damos a ver).

Tendo em conta que uma parte significativa da promoção de “O Grande Gatsby” tem passado, justamente, pela banda sonora, talvez se possa dizer que a sensibilidade pop do filme de Luhrmann (tingida de rock, hip hop e jazz) poderá ser uma caminho, inesperado e sedutor, para chegar ao génio de Fitzgerald.

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