Geração beat por Walter Salles
Jack Kerouac por Sam Riley: memória da geração beat.

Cannes 2012  

Geração beat por Walter Salles

O realizador brasileiro terminou a longa jornada que o levou a adaptar a obra seminal de Jack Kerouac. O resultado não é empolgante.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Geração beat por Walter Salles
Pela Estrada Fora Nova Iorque, final da década de trinta. Depois da morte do pai, Sal Paradise conhece Dean Moriarty, um ex-prisioneiro com uma moral flexível e um charme devastador. A obsessão de Sal pela escrita fascina Dean. Sal admira a liberdade de Dean. Tornam-se amigos. A eles junta-se Marylou, a mulher de Dean. Os três viajam pelos Estados Unidos celebrando a liberdade.
Média Cinemax:
2.167

Após ter percorrido 100.000 quilómetros e ter passado sete anos a investigar locais, a entrevistar protagonistas vivos, e a filmar, Walter Salles entregou a primeira adaptação cinematográfica de "Pela Estrada Fora", uma obra que aguardou 55 anos para ser publicada.

O cineasta brasileiro concretizou este projeto com produção da companhia Zoetrope, de Francis Ford Coppola, que possui os direitos de adaptação do livro desde 1979. O filme procura retratar a geração que cresceu após a II Guerra Mundial, focando as viagens e experiências de Jack Kerouac (personagem de Sal Paradise no livro interpretada por Sam Riley), Luanne Henderson (Mariylou por Kristen Stewart) e Neal Cassidy (Dean Moriarty por Garret Hedlund).

Walter Salles resolve bem a falta de linearidade da obra literária, e encontra um percurso narrativo coerente que dá um sentido perfeitamente convecional e cronológico às viagens. A caraterização destas personagens é fiel à rebeldia que protagonizaram em reação ao espírito da época embora não seja evidente o contexto conservador que os motiva.

A versão cinematográfica que Walter Salles propõe desta viagem tem uma montagem muito contemporânea, visualmente rápida e com cenas curtas, o que poderá ser agradável para o público mais novo, nada familizarizado com a obra de Kerouac e que terá interesse em descobrir o filme graças ao carisma dos seus atores.

Curiosamente, essa dinâmica interna do filme prejudica o tempo da viagem - a paisagem não ganha espaço narrativo e não se sente que afete de forma efetiva a mudança psicológica das personagens, como sucedia em "Diários de Motocicleta", a adaptação dos diários escritos por Che Guevara durante a viagem que fez na América do Sul.

Talvez essa transformação ganhe outro sentido no documentário "Searching For The Road" que Walter Salles está a preparar com depoimentos de pessoas que conviveram com as personagens do livro e artistas com Wim Wenders e David Byrne, que de alguma forma afetados pela geração beat.

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publicado 01:04 - 24 maio '12

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