Guerman e Friedkin: dois marginais no LEFF
Emile Hirsch e Matthew McConaughey em "Killer Joe", de William Friedkin

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Guerman e Friedkin: dois "marginais" no LEFF

Para além da secção competitiva, o Lisbon & Estoril Film Festival propõe a redescoberta de alguns cineastas marcantes: Aleksei Guerman e William Friedkin trazem-nos histórias da Rússia e dos EUA.

Na sua procura dos muitos contrastes de que se faz o cinema contemporâneo, o LEFF (Lisbon & Estoril Film Festival) traz-nos na sua 5ª edição, a decorrer até ao próximo fim de semana, alguns ciclos de cineastas "marginais". Não é, entenda-se, uma marginalidade panfletária ou banalmente provocatória. Resulta antes de visões originais e das respectivas singularidades temáticas. Exemplos: Aleksei Guerman, notável retratista crítico da era estalinista na URSS, e William Friedkin, autor de Hollywood que se move sem preconceito nas áreas independentes.

Do primeiro, além do seu trabalho mais recente, "Killer Joe" (que integrou a secção competitiva do último Festival de Veneza), será possível ver ou rever alguns títulos marcantes de uma trajectória que tem o seu momento de maior ressonância popular em "O Exorcista" (1973), evoluindo até esse perturbante objecto de cinema que é "Bug" (2007), uma parábola sobre a ideologia militar encenada como tragédia puramente intimista.

Quanto a Guerman, certamente menos conhecido no contexto português, a passagem de títulos como "Trial on the Road" (1971) ou "My Friend Ivan Lapshin" (1984), poderá ser uma excelente oportunidade para compreender a violência interior do estalinismo e da sua herança ideológica e simbólica. Vale a pena referir que o primeiro desses títulos esteve banido durante mais de duas décadas, tendo sido apenas visto (e consagrado) graças à "Perestroika" de Mikhail Gorbachev.

Mais do que nunca, eventos deste teor valorizam qualquer certame de cinema: afinal de contas, o conhecimento do cinema do presente pressupõe também uma revisitação sistemática da história dos filmes. Além do mais, a sua realização permite-nos reavaliar um pouco dos limites dos circuitos dominantes de difusão -- do espaço corrente da distribuição/exibição à presença do cinema em televisão (desde logo, nos canais generalistas), continua a haver muitas alternativas por explorar.

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publicado 11:50 - 07 novembro '11

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