HANEKE, Michael
Michael Haneke, Emanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant — rodagem de "Amor"

DVD Memória  

HANEKE, Michael

Duas vezes vencedor da Palma de Ouro de Cannes, o austríaco Michael Haneke é uma das personalidades fundamentais do cinema europeu — títulos como "A Pianista", "O Laço Branco" ou "Amor" reflectem a sua atenção à densidade das relações humanas.

Crítica recomendada:
HANEKE, Michael
Estreias
O realismo segundo Michael Haneke Michael Haneke continua a ser um metódico e intransigente observador das convulsões internas da nossa Europa: "Happy End", presente na ...

Michael Haneke não receia ir directo ao essencial. Em particular quando se trata de reflectir sobre os nossos modos de (não) viver. Que pensa ele, por exemplo, dos smartphones e redes sociais? Pois bem, a manchete de uma entrevista ao jornal britânico "The Guardian" não podia ser mais eloquente: "Estamos cada vez mais estúpidos".

O melhor filme de Cannes/2017 tinha assinatura de Haneke. Chama-se "Happy End" e chegou aos ecrãs portugueses com mais de um ano de atraso — mas chegou!... Apetece lembrar o mais simples: Haneke é um retratista das convulsões sociais e, em particular, das atribulações do universo familiar. Recordemos o exemplo perturbante, à beira do filme de terror, que é o seu “Brincadeiras Proibidas”, de 1997: ele é, afinal, um explorador das regiões mais enigmáticas do comportamento humano.

Isabelle Huppert e Benoît Magimel protagonizaram aquele que muitos consideram como um dos exemplos mais elaborados e mais radicais do cinema de Haneke: “A Pianista”, Grande Prémio do Júri de Cannes, em 2001, isto para além de Huppert e Magimel terem arrebatado os prémios de interpretação — através da música, “A Pianista” percorria as paisagens assombradas do amor e do desejo.

Michael Haneke é também um autor capaz de experimentar registos francamente inesperados, como aconteceu em 2003, com “O Tempo do Lobo”, uma parábola apocalíptica em tom (quase) de ficção científica. A sua projecção internacional tem passado, e muito, pelo Festival de Cannes — e já lá conseguiu duas Palmas de Ouro. A primeira, “O Laço Branco”, de 2009, projectava-nos na Alemanha rural do começo do século XX para nos contar uma história de medo, repressão e impossível redenção.


Três anos depois de “O Laço Branco”, portanto em 2012, Haneke regressou ao festival com o filme “Amor” — e voltou a ganhar. Era o retrato íntimo de um casal de octogenários, interpretados por Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, uma contemplação fascinada e fascinante de um universo íntimo, fechado, mas com qualquer coisa de cósmico.

por
publicado 12:57 - 19 agosto '18

Recomendamos: Veja mais Artigos de DVD Memória