Histórias do sul da América, parte 3
Matthew McConaughey, Tye Sheridan e Jacob Lofland: Mud e dois adolescentes num drama sobre crescimento.

Cannes 2012  

Histórias do sul da América, parte 3

Jeff Nichols encerrou a competição do Festival de Cannes com um drama sobre o crescimento inspirado por Mark Twain.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Histórias do sul da América, parte 3
Mud Dois adolescentes encontram um fugitivo e fazem um pacto para ajudá-lo a escapar dos caçadores de recompensas. Só assim ele poderá encontrar o verdadeiro amor.
Média Cinemax:
3.5

A paisagem clássica do sul continua a espraiar-se no cinema de Jeff Nichols, 33 anos, o benjamin da competição de Cannes 2012 e que teve o previlégio de a encerrar com um filme distinto.

Nichols regressou ao festival um ano depois de ter ganho o prémio da Semana da Crítica com um filme incrível, "Take Shelter/Procurem Abrigo" (em exibição nas salas portuguesas).

Em "Mud" ele conta uma história romântica sobre crescimento e o primeiro amor, focando a narrativa a partir do ponto de vista de um rapaz de 14 anos (Tye Sheridan, um dos jovens atores de "A Árvore da Vida") que vive numa casa-barco ancorada nas margens do rio Mississipi.

Ele e o seu melhor amigo encontram Mud (Matthew McConaughey), isolado numa ilha. Descobrem que este indivíduo misterioso é perseguido pela polícia e decidem ajudá-lo a escapar e a reecontrar Juniper (Reese Witherspoon), o amor da sua vida.

Nichols apropria-se do imaginário das histórias de Mark Twain para filmar uma América genuína, profunda e em desagregação. A paisagem continua a ser a do sul da América, mais tradicional, recôndita, e em "Mud", como sucedia nos seus filmes anteriores ("Procurem Abrigo" e "Histórias de Caçadeira"), ele trabalha o espaço familiar e os seus valores, explorarando as contradições emocionais do crescimento.

Jeff Nichols acentua as marcas temáticas e estilísticas - por um lado um certo realismo mágico que em "Mud" é quebrado por um desfecho mais ajustado a um filme de ação, e por outro a sua capacidade de utilizar a paisagem natural, no caso o delta do Mississipi, como um elemento que molda a identidade das suas personagens.

O seu olhar é clássico, ele voltou a filmar em 35 mm e assume que não está confortável com a transição para o digital. Faz sentido que persista nesse caminho e que afirme o seu olhar independente através deste formato, porque "Mud", com as suas pequenas imperfeições, é um esboço de uma obra ainda maior que está para vir.

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publicado 00:42 - 27 maio '12

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