Hollywood e a televisão:um confronto histórico

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Hollywood e a televisão:
um confronto histórico

"Frost/Nixon" é o exemplo mais recente da tradição do cinema americano que se traduz num permanente olhar crítico sobre a televisão

Com a estreia de "Frost/Nixon", reencontramos uma tendência, ou melhor, uma verdadeira tradição de Hollywood: a de manter um olhar atento, por vezes implacável e contundente, face à televisão e, em particular, aos seus excessos.

Vale a pena recordar alguns títulos dispersos:

* O HOMEM DAS MULHERES/THE LADIES MAN (1961), de Jerry Lewis — numa das suas obras-primas, Jerry Lewis encena uma sequência de terrível sarcasmo sobre a relação da televisão com as celebridades; ironicamente, na altura, Jerry, um autor absolutamente revolucionário, estava a começar a integrar o video como instrumento auxiliar da rodagem.

* NETWORK / NETWORK (1976), de Sidney Lumet — Escrito um dos autores emblemáticos do cinema mais politizado dos anos 60/70, Paddy Chayefsky (curiosamente, também com uma ligação muito forte à televisão), é um dos primeiros filmes a denunciar a exploração das vidas privadas para o incremento dos índices de audiência. Ganhou Oscars para Chayefsky (argumento original), Peter Finch (actor, a título póstumo), Faye Dunaway (actriz) e Beatrice Straight (actriz secundária).

* O SÍNDROMA DA CHINA/THE CHINA SYNDROME (1979), de James Bridges — Com Jane Fonda, Jack Lemmon e Michael Douglas, este é o drama gerado por um acidente numa central nuclear, acompanhado a par e passo por uma equipa de reportagem da televisão. Trata-se, neste caso, de uma visão positiva do trabalho televisivo, afinal retomando a lógica do filme liberal sobre a actividade jornalística.

* EDIÇÃO ESPECIAL/BROADCAST NEWS (1987), de James L. Brooks — Um retrato da vida interna de um canal de televisão, não apenas desmontando as regras (e, por vezes, as imposturas) jornalísticas, mas também observando os seus efeitos na existência privada dos respectivos profissionais. Com um elenco invulgar que inclui William Hurt, Holly Hunter e Albert Brooks.

* QUIZ SHOW/QUIZ SHOW (1994), de Robert Redford — Baseado num facto verídico — um concurso televisivo de meados dos anos 50 em que um dos concorrentes foi favorecido —, eis um belo exemplo da dimensão social do trabalho de Redford como realizador e também da sua condição de herdeiro directo dos grandes mestres clássicos. Com Ralph Fiennes, John Turturro, Rob Morrow e Paul Scofield.

Já agora, vale a pena recordar que uma das visões mais subtis dos bastidores televisivos, a meio caminho entre o realismo e o assombramento, está... numa série televisiva! Chama-se "On the Air" (1992) e é uma criação da dupla David Lynch/Mark Frost, logo após o sucesso de "Twin Peaks". Fizeram-se apenas sete episódios, uma vez que a própria a produtora, ABC, considerou a série inviável — é um clássico (quase) esquecido.

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publicado 17:52 - 29 janeiro '09

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