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Homens, monstros e robots

A saga de "Alien", iniciada em 1979, resiste à passagem das décadas — agora, com "Alien: Covenant", Ridley Scott prolonga a aventura, conferindo especial importância ao robot interpretado por Michael Fassbender.

Homens, monstros e robots
"Alien: Covenant" — sexto título de uma saga iniciada em 1979
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 Homens, monstros e robots
Alien: Covenant Ridley Scott regressa para o universo que criou, com Alien: Covenant, um novo capítulo do seu inovador franchise, Alien. A tripulação da nave Covenant, com destino a um planeta remoto do outro lado da galáxia, descobre o que acredita ser um paraíso desconhecido, mas é na realidade um estranho e perigoso mundo. Quando descobrem uma ameaça além da sua imaginação, eles tentam uma angustiante fuga.

No panorama dos blockbusters das últimas décadas, a saga "Alien" constitui, por certo, um dos casos mais invulgares de consistência dramática e espectacular. Mesmo não esquecendo os seus altos e baixos, o certo é que o conjunto de filmes iniciado em 1979 (com "Alien: O Oitavo Passageiro") possui a força própria de uma perturbante parábola filosófica: até que ponto as origens da humanidade são indissociáveis da companhia dos monstros?

Aí está, então, o sexto título da saga, "Alien: Covenant", dirigido pelo seu principal mentor, Ridley Scott, realizador do já citado "Alien" original e também de "Prometheus" (2012). Aliás, na cronologia dos acontecimentos, tudo acontece depois de "Prometheus" e antes de "Alien", numa demanda que leva os protagonistas a um planeta desconhecido. Mesmo evitando revelar as surpresas que a situação envolve, digamos que a equipa da nave Covenant encontra um "paraíso perdido" em que vacilam as fronteiras da própria identidade humana.

Nesta perspectiva, há uma figura ambígua, que emerge com especial intensidade: o "homem-robot" (ou "robot-homem") interpretado por Michael Fassbender. Através da sua acção, acabam por estar em jogo todas as relações dos humanos com os monstros que os podem destruir, numa dialéctica sempre marcada pela utopia de uma pureza radical.

Provavelmente, este é um filme face ao qual os conhecedores da saga não poderão deixar de sentir que Ridley Scott faz uma reciclagem de alguns momentos emblemáticos dos títulos anteriores (incluindo a gestação das criaturas no interior do corpo humano). Seja como for, "Alien: Covenant" consegue preservar a sua dinâmica interior — não é por acaso, por isso, que Scott admite trabalhar em "várias" sequelas...

Crítica de João Lopes
publicado 22:22 - 18 maio '17

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