Veneza, dia 1: GRAVITY, de Alfonso Cuarón  

Houston, não temos um problema!

O festival de Veneza abriu muito bem, com um filme inovador, que coloca os espectadores no espaço.

O espaço, a derradeira fronteira da humanidade, continua a ser um território fascinante para explorar no cinema, e onde é possível criar novas situações e gerar intensas emoções, como sucede em "Gravity", exibido na sessão de abertura do 70º Festival de cinema de Veneza.

O mexicano Alfonso Cuarón, o realizador de um dos episódios da saga Harry Potter ("O Prisioneiro de Azkaban") e do sucesso "E a Tua Mãe Também", regressa após sete anos sem filmar ("Os Filhos do Homem" era a a sua derradeira obra, igualmente exibida em Veneza), com um filme espacial onde dois astronautas interpretados por George Clooney e Sandra Bullock, ficam à deriva e sem contacto com Houston, quando a sua nave é atingida por detritos espaciais.

Não se trata de um filme de ficção científica, no sentido convencional - não tem aliens, civilizações estranhas, batalhas intergalácticas... "Gravity" é um filme sobre um homem e uma mulher lidando com uma situação extrema, tentando sobreviver, no ambiente mais hostil possível.

"Houston, eu tenho um mau pressentimento sobre esta missão", diz George Clooney, o veterano astronauta Matt Kowalsky na sequência inicial do filme, onde Cuarón filma os astronautas vagueando no espaço enquanto reparam uma avaria num satélite, durante uma sequência única de 13 encantadores minutos, com uma continuidade visual surpreendente e piruetas de câmara espantosas.

O filme é uma experiência única de cinema, nunca foi filmado algo assim, parece que tudo sucede in loco. O 3D, de uma clareza impressionante para um filme obscuro, favorece claramente a experiência e o visionamento numa projeção Imax é a melhor opção a considerar.

Também se trata de um excelente filme para Sandra Bullock que acaba por ter o papel principal surgindo muito tempo sozinha em cena. A sua astronauta lembra, fisicamente, a personagem de Ripley em Alien... mas as comparações não a prejudicam. Desde "Speed", um genuíno filme de ação, que não tinha um papel assim, fisicamente tão exposto, confirmando que a atriz é mesmo dotada para este género de experiências.

"Gravity" é um dos filmes mais surpreendentes do ano. Podemos dizer, convictamente: Houston, não temos um problema! Temos um grande, grande filme!

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publicado 10:41 - 29 agosto '13

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