Jane Campion preside ao júri de Cannes

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Jane Campion preside ao júri de Cannes

O festival de Cannes escolheu pela primeira vez uma realizadora para liderar o júri da competição principal.

A realizadora neo zelandeza Jane Campion, a única mulher a ter ganho a Palma de Ouro por "O Piano" , presidirá ao júri do 67º Festival de Cannes, anunicou a organização.

"É uma grande honra para mim ter sido escolhida para presidir ao júri . E, para dizer a verdade, eu estou muito animada", afirmou em comunicado a realizadora de 59 anos, que sucede ao produtor e realizador Steven Spielberg.

Jane Campion é um caso único na história do Festival de Cannes. Além de ser a única realizadora que ganhou uma Palma de Ouro na competição principal, com "O Piano", em 1993, também tinha recebido outra, em 1986, premiando "Peel" na competição das curtas-metragens.

Jane Campion salienta que o festival "é um local mítico e surpreendente onde os actores se revelam, onde os filmes encontram os respectivos produtores e onde começam carreiras. Sei o que digo: aconteceu comigo”!

"Cineasta incansável pioneira" de acordo com a nota da organização do festival, Jane Campion será a primeira realizadora a presidir ao júri do Festival.

Anteriormente o júri do festival de Cannes só teve a presidência feminina de atrizes - as francesas Isabelle Huppert, em 2009 e Isabelle Adjani, em 1997, e a nórdica Liv Ullmann, em 2001, uma atriz que também dirigiu vários filmes.

O longo percurso de Campion no festival
"Vim a Cannes pela primeira vez em 1986" - declara – "e, desde então, a minha admiração pela rainha das manifestações de cinema não parou de crescer. O glamour e o profissional combinam-se aqui de maneira única. É o país das estrelas, das festas, das praias e dos negócios, mas nunca perdemos de vista o que é o festival: uma celebração do cinema enquanto Arte e uma celebração do cinema de todo o mundo”.

Gilles Jacob, o presidente do júri, recordou assim o percurso de Campion no festival: "Era uma vez uma jovem realizadora desconhecida vinda dos antípodas que teria ficado orgulhosa por o Festival de Cannes apresentar uma das três curtas-metragens que acabara de filmar. Já afirmavam uma tal valentia, uma tal humanidade, um tal universo que o Festival mostrou as três de uma só vez. Nascera Jane Campion. E, com ela, um estilo. Seguiu-se "Sweetie", "O Piano" ou, recentemente, "Bright Star – Estrela Cintilante", esse maravilhoso filme onde a poesia circula como nunca. Não se espantem que, após tantas emoções, eu lhe chame Lady Jane”.

Proveniente de uma família de artistas, Jane Campion estudou antropologia e depois pintura, antes de se virar para o cinema, onde efectuou estreias fulgurantes: notável pelas suas curtas-metragens, cativando a crítica internacional com "Sweetie" (1989), a sua primeira longa-metragem, seleccionada para a competição do Festival de Cannes desse ano.

Depois de "Um Anjo à Minha Mesa" (1990), inspirado na obra de Janet Frame, onde esboça um retrato de mulher fora do comum que conquista a sua identidade, regressou à competição em Cannes, em 1993, com "O Piano" -  depois de receber a Palma de Ouro o filme foi premiado com um Oscar de melhor argumento, enquanto que a atriz Holly Hunter acumulou o Prémio de Melhor Atriz no Festival de Cannes com o Oscar de melhor atriz.

Após esse sucesso, Campion prosseguiu com filmes protagonizados por mulheres intensas: "Retrato de uma Senhora" (1996), com Nicole Kidman, "Fumo Sagrado" (1999), com Kate Winslet, e "In the Cut – Atracção Perigosa" (2003), com Meg Ryan.

O último filme da realizadora, "Bright Star – Estrela Cintilante", visão original e biografia romanceada do poeta Keats e da respectiva musa, foi apresentado na Competição, em Cannes, em 2009.

O 76º Festival de Cannes decorrerá entre 14 e 25 de maio.

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publicado 15:54 - 07 janeiro '14

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