LEFFEST: Godard na companhia de Woody Allen e... Shakespeare
Woody Allen entrevistado por Jean-Luc Godard — um encontro insólito

LEFFEST 2016  

LEFFEST: Godard na companhia de Woody Allen e... Shakespeare

Uma sessão com dois dos momentos mais insólitos da filmografia de Jean-Luc Godard: uma entrevista com Woody Allen e uma variação perversa sobre o "Rei Lear", de Shakespeare.

Na grande retrospectiva que o Lisbon & Estoril Film Festival está a dedicar a Jean-Luc Godard, há uma colecção fascinante de raridades. Nelas se incluem os títulos da chamada "fase militante", alguns programas televisivos e, em particular, os dois títulos que integram a sessão da noite de quarta-feira: "Meeting WA" (1986) e "King Lear" (1987).

São, por assim dizer, dois objectos selvagens, desafiando os próprios códigos que evocam ou os justificam. O caso de "Meeting WA" é absolutamente desconcertante: correspondendo a um convite, Godard vai a Nova Iorque para entrevistar Woody Allen, acabando por criar uma situação em que o diálogo tem tanto de insólito como de impossível — em boa verdade, é um diálogo de duas solidões.

A aventura de "King Lear" é ainda mais insólita, quanto mais não seja porque na sua gestação está o estabelecimento de um contrato entre Godard e Menahem Golan, da Cannon Films, produtora, por exemplo, de filmes de "acção" de Chuck Norris — da mitologia do filme, faz mesmo parte a assinatura do respectivo contrato durante uma refeição, num guardanapo...

Woody Allen está também presente nesta versão perversa de Shakespeare, tal como Julie Delpy ou Norman Mailer. O resultado pode resumir-se como uma deambulação através das formas de poder, com Godard (também actor) a encenar-se como um criador que discute o seu próprio lugar no cinema de finais da década de 80 — perturbante, inclassificável, fascinante.

> Nimas, dia 9, 21h45

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publicado 01:09 - 09 novembro '16

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