LEFFEST (dia 12): recordando a obra televisiva de Rossellini
Jean Silvère no papel de Sócrates — a televisão segundo Roberto Rossellini

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LEFFEST (dia 12): recordando a obra televisiva de Rossellini

Cinema e televisão podem existir numa interessante complementaridade artística e comercial — Roberto Rossellini foi pioneiro nessa atitude, sendo o seu "Sócrates" (1971) um exemplar modelo criativo.

Dando provas de uma agilidade de programação que, em boa verdade, é transversal aos mais importantes festivais de cinema, o LEFFEST inclui uma zona de programação em que são mostrados produtos televisivos ou, por assim dizer, a meio caminho entre cinema e televisão. Os filmes realizados por Roberto Rossellini (1906-1977) constituem, nessa zona, um destaque fundamental.

De facto, Rossellini foi um dos pioneiros — talvez possamos mesmo dizer: "o" pioneiro — de uma atitude conceptual e criativa que encarou a televisão, não como um instrumento ao serviço do "divertimento" desumanizado, mas sim como uma paisagem que estava (ou podia estar) ao serviço de uma genuína sensibilidade humanista. Os tele-filmes que Rossellini dirigiu no período final da sua vida, a começar pelo emblemático "A Tomada do Poder por Luís XIV" (1966), são uma exemplar concretização de tal orientação.

O caso de "Sócrates", produzido pela RAI em 1971 (com participações da TVE e da ORTF, respectivamente de Espanha e França), poderá servir de exemplo modelar dessa lógica, ao mesmo tempo prospectiva e pedagógica, posta em prática por Rossellini. Interpretado por Jean Silvère, o filósofo ateniense surge, não exactamente como uma personagem histórica "reconstituída", antes como um sinal de memória em que se combinam a distância temporal e a proximidade do pensamento — era o tempo em que a televisão ainda não conhecia o medo de ser viva e inventiva.

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publicado 13:46 - 12 novembro '14

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