Leff, dia 5: o regresso de Bertolucci
Tea Falco e Jacopo Olmo Antinori: para além dos clichés televisivos da juventude

LEFF 2012  

Leff, dia 5: o regresso de Bertolucci

Bernardo Bertolucci já não realizava um filme desde 2003 ("Os Sonhadores"). "Io e Te" marca o seu regresso aos temas de uma juventude enraizada num espaço familiar em estado de metódica decomposição.

No Festival de Cannes do passado mês de Maio, "Io e Te", de Bernardo Bertolucci, apresentado extra-concurso, foi recebido com um misto de entusiasmo e desencanto. Por um lado, era realmente o regresso de Bertolucci, depois de quase uma década sem filmes ("Os Sonhadores" surgiu em 2003) e também de graves problemas de saúde; por outro lado, porquê a ausência da competição de um dos títulos marcantes do certame?

O mínimo que se pode dizer de "Io e Te" é que nele encontramos uma visão das personagens jovens que supera todos os clichés (de raiz televisiva) que, hoje em dia, vão "amorangando" as imagens correntes da juventude, suas tristezas e alegrias. A odisseia intimista dos dois irmãos, Lorenzo e Olivia (Jacopo Olmo Antinori e Tea Falco, ambos excepcionais), adquire o fôlego de uma viagem por uma solidão muito contemporânea, enraizada na metódica decomposição das estruturas familiares tradicionais.

Afinal de contas, "Io e Te" é apenas a história de alguns dias em que Lorenzo e Olivia se "escondem" de uma família que, em boa verdade, não os procura... Descobrimos, assim, uma errância dos filhos que se mantém como uma obsessão nuclear do universo cinematográfico de Bertolucci. Nesta perspectiva, os conflitos edipianos de "Antes da Revolução" (1964) ou "A Estratégia da Aranha" (1970) ecoam de forma subtil nas convulsões afectivas deste admirável "Io e Te".

Destaque LEFFEST, dia 5:

IO E TE, de Bernardo Bertolucci
21h15: Cinema Medeia Monumental - Lisboa

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publicado 18:59 - 13 novembro '12

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