Leff, dia 8: um filme mítico de Oliveira
Manoel de Oliveira: "Francisca" completa a trilogia dos amores frustrados

LEFF 2012  

Leff, dia 8: um filme mítico de Oliveira

Na trajectória criativa de Manoel de Oliveira, certos filmes definem todo um programa criativo, em particular na relação com a literatura: "Francisca", produzido em 1981, é um desses filmes e dos mais marcantes.

Oportunidade rara: ver (eventualmente rever) um filme que ocupa um lugar nuclear na obra de Manoel de Oliveira, nele confluindo os seus conceitos essenciais de narrativa, reinvenção literária e romanesco. Realizado em 1981, a partir de "Fanny Owen", de Agustina Bessa-Luís, "Francisca" é, por certo, um dos títulos mais emblemáticos (e também mais míticos) de um cinema português de absoluta liberdade experimental.

Na trajectória de Oliveira, "Francisca" completa uma trilogia dos amores frustrados, iniciada com "Benilde ou a Virgem Mãe" (1975) e "Amor de Perdição" (1979). A densidade da palavra literária, eventualmente teatral (é o caso de "Benilde", inspirado na peça de José Régio), impõe-se como matéria cuja espessura implica os corpos e as sua percepção, os códigos sociais e os seus limites.

Envolvido numa rodagem complexa, por certo numa produção das mais ambiciosas de toda a história do cinema português, "Francisca" tem sido, infelizmente, um filme pouco visto. Em boa verdade, podemos dizer isso de diversos títulos marcantes dessa história (cuja indisponibilidade em DVD se mantém). Vê-lo (ou revê-lo) será, afinal, revisitar a exigência formal de um cineasta que não pára de discutir o cinema, as suas linguagens e respectivas fronteiras.

* FRANCISCA, de Manoel de Oliveira
18h30: Espaço Nimas - Lisboa

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publicado 16:16 - 16 novembro '12

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