Leff, dia 9: O génio de Buñuel
"O Fantasma da Liberdade": a heterodoxia narrativa

LEFF 2012  

Leff, dia 9: O génio de Buñuel

Ver um filme de Luis Buñuel apresentado por Alfred Brendel: eis uma hipótese rara, hoje proporcionada pelo Lisbon & Estoril Film Festival. Filme a ver: o genial "O Fantasma da Liberdade".

Alfred Brendel, o admirável pianista, está na origem de uma possibilidade rara: ver projectado num ecrã de cinema o penúltimo filme de Luis Buñuel, "O Fantasma da Liberdade" (1974). Integrado numa zona de programação dedicada às "escolhas de Alfred Brendel" (apresentadas pelo próprio), este é um exemplo extremo (apetece dizer: extremista) do génio com que Buñuel soube decompor os pressupostos dramáticos e simbólicos das formas tradicionais de narrativa.

Tal como no seu filme anterior, o multi-consagrado "O Charme Discreto da Burguesia" (1972), Buñuel possui o génio necessário e suficiente para nos propor como coisa "natural" uma saborosa heterodoxia: trata-se de criar uma teia de histórias autónomas, ligadas de forma mais ou menos casual (como num cadavre exquis surrealista), contrariando as ilusões correntes de espaço/tempo, bem como o velado determinismo moral de muitas narrativas.

Em boa verdade, "O Fantasma da Liberdade" é o expoente de uma arte de desafio das fronteiras da realidade que marca toda a filmografia de Buñuel. Juntamente com o citado "O Charme Discreto da Burguesia" e o seu filme final, "Este Obscuro Objecto do Desejo" (1977), "O Fantasma da Liberdade" define uma trilogia em que a ironia do olhar se combina com uma perspectiva muito céptica das relações humanas. O humor de Buñuel tinha tanto de euforia como de amargura.

* O FANTASMA DA LIBERDADE, de Luis Buñuel
18h30: Espaço Nimas - Lisboa
(Sessões especiais: as escolhas de Alfred Brendel)

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publicado 02:47 - 17 novembro '12

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